Entrevista: Fred Thomas (Saturday Looks Good To Me)

10.02.2009 — Entrevistas, Música


Fred Thomas é o homem por trás do Saturday Looks Good To Me, mas poucas pessoas sabem que o seu mais recente projeto, chamado de City Center, é uma empreitada pelo mundo dos samplers e barulhos, e está em vias de lançar seu primeiro disco oficial. Retornando de uma turnê européia com o SLGTM lá atrás em julho do ano passado, o sempre simpático Fred fala sobre seu emprego numa loja de discos, sobre cupcakes, Rihanna, Breeders, clientes malas, beach-bum shit e que, no final das contas, as pessoas só querem viver.

Suppaduppa: Você ainda está trabalhando na loja de discos? Como é o seu trabalho lá? O que você faz exatamente?
Fred Thomas: Na verdade eu acabei de mudar de um emprego de meio período em uma loja independente para um emprego de período integral em outra loja independente. Eu trabalho em lojas de discos desde os meus 19 anos e eu sinto que este é o único emprego que eu poderia ficar por tanto tempo. Minha função oficial na loja é comprar CDs e discos dos clientes e decidir a que preço vendê-los.

SD: Eu acredito que o dinheiro que você recebe pela sua música pode ser bem irregular. Como você trabalha isso?
FT: Eu nunca fui de gastar muito. Eu amo comida e estou sempre indo atrás de comida vegetariana estranha e excitante. E eu amo música. Também tenho que pagar o aluguel e comprar roupas novas de vez em quando ou um equipamento musical. Mas fora isso eu não gasto em mais nada então eu até consigo juntar um dinheiro mesmo sem ir atrás. Hahahaha. Eu consigo me sustentar com pouco, então, quando a minha música rende algum dinheiro é como um “cupcake” extra no final do dia.

SD: Como você lida com um cliente mala?
FT: Eu sou super simpático com todo mundo, seja o cliente rude ou educado porque todos nós estamos apenas tentando viver. Eu tenho certeza que já fui um péssimo cliente com alguém, mas eu não queria ter sido. Tenho certeza que ninguém quer ser também. De vez em quando é difícil esquecer que nós não somos nossos empregos ou as coisas que compramos ou vendemos, mas eu sempre tento estar consciente disso.

SD: Agora sobre sua música: você tem um horário específico do dia para compor suas canções? É bem claro na sua cabeça quando a música que você está escrevendo será do Saturday Looks Good To Me ou do City Center ou do seu projeto solo?
FT: Eu tento trabalhar em música pelo menos uma hora por dia. De vez em quando o resultado é bom outras vezes ruins, mas eu tento fazer disso uma prática e não um evento. Eu nunca sento e escrevo uma música específica para um projeto específico, tudo acaba fazendo sentido na hora. No momento estou escrevendo mais canções para o City Center pois se trata ou de uma música para o blog, que é mais um esboço e gravada rapidamente, ou uma música para o disco em que estou trabalhando, que requer horas e horas de trabalho e refinamento. São as canções mais excitantes que faço em anos, então estou focando nelas.

SD: Você acabou de fazer uma turnê pela Europa com o Saturday Looks Good To Me. Como estava o tempo lá?
FT: Oh Deus, estava maravilhoso! Sério, o melhor tempo de qualquer turnê européia que já fizemos. Belos dias.

SD: Qual foi o primeiro instrumento que você aprendeu a tocar?
FT: Banjo quando eu tinha dez anos.

SD: Qual o instrumento que você mais gosta de tocar?
FT: Eu me sinto mais conectado com a bateria, ela é a mais imediata.

SD: Qual sua cor favorita?
FT: Eu não tenho uma só. Gosto de várias cores, mas é na combinação delas que eu fico cri cri. [Like this neon turquoise anything goes beach-bum shit that’s been happening lately. Booooooooo!!!!]

SD: No City Center é possível escutar bastante efeitos de computador. Como o uso dele mudou o jeito que você compõe suas canções? Você foi relutante no começo?
FT: O negócio é que não tem computador no City Center. Tudo é feito basicamente de samples e loops, mas tudo de forma orgânica e em tempo real. Nos últimos dezesseis meses eu peguei o Pro-Tools e ele transformou meu jeito de gravar em quase todos os meus projetos, mas o City Center só parece que foi feito com programas de computador. Quando eu toco ao vivo, eu corto e colo em tempo real. Eu tenho um 404 sampler e algumas coisas pré-gravadas mas é basicamente vocais e sinos em tempos de fita diferentes. Tudo muito simples se você pensar bem. Eu gravei em fitas e equipamentos analógicos por muito tempo, mas os computadores sempre foram parte da equação na mixagem e etc, então, não, nunca fui muito relutante com o uso deles por qualquer razão.

SD: No blog do City Center você fala bastante de bandas novas. Como você vê a cena musical hoje? Existe uma cena?
FT: Eu amo a cena musical circa 2008. Ela tem tantas facetas diferentes e muitas pessoas maravilhosas fazendo música que soa algo como nunca feito antes. Um monte de gente jovem realmente fazendo coisas novas. E eu vejo muito disso morando em Brooklyn. Não poderia estar mais feliz com o número de sentimentos super positivos emanando de pessoas fazendo música juntas.

SD: Com o que você é bastante geek?
FT: Produção, principalmente produção das grandes gravadoras. De vez em quando eu vou no iTunes e compro as músicas da Rihanna ou da Alicia Keys ou do Jay-Z etc só para ver como as pessoas com milhões de dólares pensam como a música deveria ser feita. Eu viro muito crítico e geeky se um disco foi bem gravado ou não, o que é estranho já que eu sou um péssimo produtor. Ha. Ah, o Breeders vai tocar na loja que trabalho sexta-feira. Estou extremamente geek com isso de um jeito bem tiete.

SD: O que é SUPPADUPPA na sua vida hoje?
FT: É verão aqui e eu ando fazendo mais com a minha vida do que jamais fui capaz de sonhar. E me sinto muito bem.

SD: Por que escolheu essa foto [acima]?
FT: Essa é a minha foto mais recente. Estou atravessando a rua com meu amplificador silvertone que uma banda precisou pegar emprestado para o primeiro show deles em NY. Minha amiga Joanna está me visitando, ela tirou essa foto e me mandou. Escolhi ela porque eu gosto que as coisas sejam do momento e em tantas entrevistas minhas aparece uma foto de 2003, quando as coisas eram muito diferentes. Espero que vocês gostem.

Saturday Looks Good To Me
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City Center
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