Darren Hayman & The Secondary Modern – Pram Town

13.02.2009 — Música, Resenhas

Darren Hayman & The Secondary Modern
Pram Town
(Independente; 2009)

 

 

Uma ópera folk é um belo parêntesis para o mais recente lançamento de Darren Hayman com o Secondary Modern. A ópera do disco é conectada do início ao fim pelo local, Pram Town, apelido de uma cidadezinha inglesa suburbana onde Darren cresceu. O folk fica por conta da banda de apoio, o Secondary Modern, que eleva a graciosidade do desengonçado Darren lá pro alto. Há muito banjo, lances de metais e nada é exagerado, folk apenas nesse sentido, pois não há nada para assustar ou afastar um fã de Hefner aqui, a simplicidade das canções continuam a mesma – brit pop tocado com banjo – e, em Pram Town, Darren recebe um tratamento digno nos arranjos. Ao contrário do disco anterior com o Secondary Modern, o auto-intitulado de 2007, os arranjos ornamentam as canções e não acompanham como se Darren fizesse parte da banda. Ele sempre será um ser à parte em qualquer música que fizer.

No site oficial de Darren, ele diz que “Este disco é sobre boas idéias que deram errado. É sobre como o orgulho pode te fazer perder seu amor. É sobre muita e pouca ambição e o espaço entre os dois”, em uma tradução bem livre. Quando a última nota de Pram Town é tocada, eu penso: “Puta merda. Cadê o desespero geek? Calma ai, que disco bonito. Mas cadê a exaltação? Olha, acho que estou calmo. Mas e as letras amorosas sexuais e/ou desesperadas? Estou confuso”. Play de novo.

“Civic Pride” abre o álbum numa marchina triste, a bandinha solitária desfilando por Pram Town. Essa sensação permanecerá por todo o disco: Darren na frente marcha e guia (sem a convicção de um líder) e a Secondary Modern segue atrás, “Pram Town”, a faixa, introduz a cidade; “Compilation Cassette” começa a mostrar outros personagens e “Losing My Glue” é uma dancinha exaltada e solitária pelas ruas de paralelepípedo. E quando aparece “No Middle Name” com seu banjo incessante e Darren soletrando nomes em tom de desespero tão contido que torna tudo mais desesperador do que o tom explícito do Hefner, o disco atinge seu ápice.

Mais centrado, Pram Town é o melhor disco de Darren Hayman desde We Love The City (2000). “Our Favorite Motorway”, “Out of My League”, “Amy and Rachel”, “Fire Stairs” e “Never Want To Be That Way Again” complementam as faixas já citadas e transformam esse disco, que fatalmente será ignorado, em uma pequena pérola brtânica livre de ironia e de exaltação gratuita de qualquer lado, dele e de outros. Ele é apenas bonito, triste e, acredito eu, histórico pessoalmente para Darren. Cantar sobre idéias que deram errado, orgulho e ambição do subúrbio onde cresceu com um resultado tão belo não é para qualquer um. Sua marcha continuará solitária, com poucos flashes e seguidores, mas estarei o acompanhando da minha janela do terceiro andar. Chora, Darren.

– Denis Fujito

Nota: