Harlem Shakes – Technicolor Health

17.02.2009 — Música, Resenhas

Harlem Shakes
Technicolor Health
(Gigantic Music; 2009)

 

 

Como um bom descendente de oriental, eu tirei muito dez em matemática. Mas, infelizmente ou felizmente (nunca saberei a resposta), essa fase foi curta e durou só até a quarta-série. Logo virei um aluno nota sete. Não só em matemática, mas em todo o resto.

Eu me tornei um aluno nota sete e desse posto não saí mais. As notas altas que tirei foram de algumas matérias que realmente gostava ou aquelas em que o professor perdia a pasta com as notas. Já as muito baixas, eu simplesmente não me importava. Você se torna um aluno nota sete, como se torna um aluno nota 10, como se torna um repetente. É difícil mudar essa condição depois de certo tempo. Diria que da sexta série em diante, suas notas ficam um tanto constantes. Se você melhorou muito, chutaria que você foi para um colégio/faculdade porcaria.

Essa “resenha” já está repleta de preconceitos: oriental nerd em matemática, predeterminismo escolar (hein?) e etc, mas vou continuar até o final!

Assim como eu tive minha nota máxima geral abaixada, ou seja, não dava para esperar uma média muito maior que sete e pouco para mim, alguns “gêneros musicais” também tiveram suas notas máximas abaixadas. Em geografia podia até se esperar um 10 de mim, em química 7,5 e em física 5. Na música, um disco do Coldplay não poderia ter uma nota maior que 5, por exemplo. Quase nenhum disco brit pop terá uma nota maior que cinco hoje em dia. É também impossível uma coletânea ter uma nota maior que sete, talvez se a mesma acabasse com a fome no mundo ela tiraria 9,5. Coletânea nunca é nota 10 e por aí vai.

E dentro dessa minha visão preconceituosa, o indie pop que o Harlem Shakes faz tem sua nota máxima na casa dos dez mesmo (eu amo um pop bem grudento). Burning Birthdays, o EP de 2007, é nota oito e meio. Ele é indie pop, power pop, para cima e com umas viradas sensacionais, partes com peso e vocais mais sujos. É um EP, por isso curto, mas de tiro certeiro. O pecado de Technicolor Health, álbum que será lançado em março, é exatamente ser produzido um pouco de mais; os backing vocals estão sempre se encontrando em perfeita harmonia, as guitarras redondinhas e os vocais não se exaltam tanto como em Burning Birthdays.

Para mim, Technicolor Health é nota sete mas é justamente por isso que eu me sinto tão em casa quando o escuto. O Harlem Shakes é meu amigo de escola. Chuto potinho de iogurte com eles no recreio e dane-se…o resto? Uma nota sete para pessoas notas sete é tipo mais um ótimo recreio no terraço proibido da escola.

– Denis Fujito

Nota: