M. Ward – Hold Time

20.02.2009 — Música, Resenhas

M. Ward
Hold Time
(Merge; 2009)

 

 

 

A carreira de Matt Ward é constante sem nunca ser mais do mesmo. O início com Duet For Guitars #2 (1999) apareceu com clima low profile e bem cru. Porém, a partir de End of Amnesia (2001), M. Ward começa a mostrar seus verdadeiros dons musicais. O álbum é consistente e com os pés infincados na música dos grotões dos Estados Unidos; folk, country e americana com um guitarrista extremamente competente e um compositor que dava nova vida a esses estilos muitas vezes revividos de forma caricata.

Transfiguration of Vincent (2003), o álbum seguinte, é sua obra mais bonita. Sua voz se firma de vez, comparações com Tom Waits pipocaram por aí e suas linhas de guitarra são precisas e limpas. Se Transistor Radio (2005) soa um pouco preguiçoso aos meus ouvidos, talvez fosse para abrir caminho ao mais ambicioso e acessível Post-War (2006). Há algumas músicas realmente épicas nele como “To Go Home”, “Chinese Translation” e “Post-War”. Épicas musicalmente; elas são completas, pianos, backing vocals, belas melodias e ainda em cima das mesmas raízes que sempre esteve.

O She & Him foram belas férias. Canções pop, ele ali de pôster para a linda Zooey Deschanel e pouca necessidade de suas habilidades como guitarrista. Gosto de verdade de Volume One (2008), o disco do She & Him, mas agora não gosto de sua “influência” em Hold Time, o novo LP de M. Ward.

Se Post-War era acessível mesmo com as mesmas antigas influências, Hold Time é acessível no sentido mais óbvio, ele é mais pop. “For Begginers”, “Never Had Nobody Like You”, que conta com a participação de Zooey, e “Jailbird” poderiam estar num próximo disco do She & Him.  Zooey ainda empresta sua linda voz na versão de “Rave On”, canção de Sonny West. Já “To Save Me” tem a participação de Jason Lytle e a estrutura da música assim como o teclado remetem, surpreendentemente, ao Grandaddy.

“One Hundred Million Years”, “Star of Leo”, “Oh Lonesome Me” com o vocal de Lucinda Williams, “Blake’s View” e “Shangri-la” afirmam que Hold Time tem, sim, a assinatura de M. Ward. Se fosse lançamento de qualquer outro músico, ele receberia nota oito, no mínimo. Mas tenho que ser rigoroso com quem já passei tanto tempo escutando.

– Denis Fujito

Nota:

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