Jeremy Jay – Slow Dance

28.02.2009 — Música, Resenhas

Jeremy Jay
Slow Dance
(K Records; 2009)

 

 

 

He said ‘Yeah’

Jeremy Jay é um pouco aquele amigo/conhecido seu que não vê diferença nenhuma entre palco e vida. Você pode até se irritar com suas histórias em forma de declamações, mas, impossível negar, de vez em quando ele fala coisas bonitas e preciosas. Como se não bastasse ele ter nascido meio ator, ele aprendeu a arranhar uma guitarra e resolveu então tocar e cantar ao invés de só declamar. Um pouco antes de tudo isso, ele entrara numa fase da vida que escutava Buddy Holly e Elvis Costello obsessivamente enquanto ensaiava uma dancinha contida em frente a um pôster do David Bowie pendurado no seu quarto, já imaginando suas próprias canções.

GiddyAh! Horse, GiddyAh!” (?)

A Place Where We Could Go, sua estréia pela K Records do ano passado, é uma janela aberta a esse mundo (paralelo) de Jeremy. O disco contém alguns belos esboços de canções, como “Heavenly Creatures”, “Beautiful Rebel” e “Someone Cares”. No disco ele deixa bem claro que só quer mostrar, se mostrar, cantar, representar e apresentar um pouco esse lugar secreto onde só ele poderia te levar, não se importando com a forma singela e tímida que o disco tem.

Love…Ice…Skating

Já em Slow Dance, seu novo álbum, Jeremy mostra que agora liga para a forma que tudo é apresentado. Ele, então, eleva a qualidade de produção, coloca uma bandinha para o acompanhar e elabora mais os arranjos do seu rock glamuroso, porém singelo e solitário.

Tararata. Tararararara

“We Were There” é um ótimo hit de sintetizador para abrir o disco; “In This Lonely Town” tem um riff que vai grudar na sua cabeça por dias; “Gallop”, guiada por baixo e bateria, mostra um lado mais misterioso do disco, que voltará a brilhar em “Breaking The Ice”. A faixa título é uma dança sensual em algum sótão empoeirado, “Winter Wonder” e “Slow Dance 2” mostram o lado mais calmo do disco; e “Where Could We Go Tonight” resolve Slow Dance e mostra que Jeremy Jay encontrou uma saída para sua música.

We’re breaking the ice/ Cold Cold/ Yeah!

Ele fecha a janela do seu quarto para abrir a porta. Você deixa de olhar, gostando ou se irritando, e é convidado para uma dança, da qual você poderá simplesmente sair andando. Eu estou batendo meu pé aqui, calmamente.

Denis Fujito

Nota:

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