A.C. Newman – Get Guilty

03.03.2009 — Música, Resenhas

A.C. Newman
Get Guilty
(Matador; 2009)

 

 

 

O New Pornographers sempre pareceu as férias perfeitas para Dan Bejar, o Destroyer, e para Neko Case, mas nunca para A.C. Newman. Para o último, o New Pornographers sempre foi sua primeira banda e o seu modo de resolver suas canções com músicos competentes ao lado. As composições do Destroyer, os vocais de Neko Case e a bateria de Kurt Dahle são fundamentais para os New Pornos, mas a alma do grupo é, sim, A.C. Newman.

O último disco da banda, Challengers (2007), não conseguiu captar toda a potência que ela já mostrou em lançamentos anteriores; por isso e pela alta expectativa criada ao redor do sucessor de Twin Cinema (2005), as críticas do álbum foram duras. Porém, escutando Challengers com atenção, é possível notar uma calma nada imediata e canções preciosas. O álbum só foi criticado da forma que foi pois a poeira levantada por Twin Cinema não foi duplicada, replicada. Mas se alguém ainda duvida do lado mais calmo de Carl Newman, ele traz uma nova amostra para você em Get Guilty, seu segundo disco solo.

Sem poder se apoiar na voz inconfundível de Neko Case e sem um Dan Bejar para aparecer com uma canção torta (no bom sentido da palavra) no meio do álbum, Carl guia Get Guilty como consegue. Há pouca bateria e poucas guitarras, por isso as quebras de ritmo são mais sutis e os backing vocals ficam realmente em segundo plano. “There Are Maybe Ten or Twelve”, “The Heartbreak Rides” e “Like a Hitman, Like a Dancer” mostram um Carl Newman em pose de Elvis Costello era This Year’s Model; “Submarines of Stockholm” brilha com seu ritmo hipnótico e já é, facilmente, uma de suas melhores músicas; “The Palace at 4AM” vem agitada de forma acústica; e o restante de Get Guilty surpreende pelo fato de A.C: Newman conseguir fazer um disco funcionar com tão pouco. Não há muito mais do que power pop com poucas guitarras aqui, mas pelo menos ele também pôde tirar boas férias.

Denis Fujito

Nota: