Mos Def – The Ecstatic

16.06.2009 — Música, Resenhas

Mos Def
The Ecstatic
(Downtown; 2009)

Para muitos, Mos Def é considerado uma lenda do hip hop. Afinal de contas, o músico/ator fez sua estreia solo com o espetacular Black On Both Sides, um clássico do gênero, lançado em 1999. Um ano antes, ao lado do rapper Talib Kweli, lançou um álbum sob a alcunha de Black Star, que também é uma pepita de ouro para os fãs de rap em todo o mundo. Para outros, entretanto, Mos Def não passa de uma promessa que não rendeu bons frutos, uma vez que tudo o que ele fez depois não chegou a convencer. Mas em uma coisa todos concordam: ele é um artista que sempre procurou inovar. E, como se sabe, quem inova corre riscos. E quem corre riscos nem sempre acerta.

The Ecstatic é o quarto trabalho solo de Mos Def e, dessa vez, dá pra dizer que ele acertou a mão. Logo de cara é válido observar que este não é um disco de fácil digestão. São 16 músicas, muitas delas não chegando a três minutos (algo raro no hip hop), com muitas mudanças de humor, clima e ritmo, com beats quebrados e incomuns. O que me leva a falar da impecável produção de Madlib, que de forma magistral carrega o ouvinte faixa-a-faixa em uma viagem estranha, porém bastante agradável. Aqui, vale citar também a presença de Oh No (irmão de Madlib), de Chad Hugo (N.E.R.D./Neptunes), Mr. Flash e Preservation, que também colaboram na produção.

Felizmente, The Ecstatic é um álbum enxuto no que diz respeito às participações, sendo que apenas três artistas dividem os microfones com Mos Def: na ótima “Auditorium”, o grande rapper Slick Rick, conhecido dos anos dourados do hip hop (ouça The Great Adventures Of Slick Rick, de 1988) faz boas rimas; em “Roses”, Georgia Anne Muldrow (que também produz a faixa) e sua poderosa voz aparecem; por fim, o companheiro Talib Kweli dá as caras em “History” (com produção de J Dilla), uma das melhores do álbum.

Mos Def soa geralmente confuso em suas letras, deixando em aberto muitas questões e apresentando poucas respostas, isso quando se descobre do que, de fato, ele está falando. Algo que para alguns deve parecer um ponto fraco, essa é uma característica que muito me agrada. O fato de muitas letras soarem abstratas ou não-acabadas é, pra mim, algo positivo, principalmente quando vemos e ouvimos rappers que se afirmam os reis da sabedoria.

Se você é um dos que aguardam um Black On Both Sides II, pode tirar o cavalo da chuva. Em termos de estilo, The Ecstatic não é uma continuação daquele que é considerado o álbum clássico do rapper. Mas, em termos de qualidade, este é um disco digno das melhores coisas feitas por Mos Def em sua carreira, uma demonstração clara de sua criatividade e uma resposta àqueles que duvidavam de seu potencial.

– Six

Nota:

 

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