Tortoise – Beacons of Ancestorship

26.06.2009 — Música, Resenhas

Tortoise
Beacons of Ancestorship
(Thrill Jockey; 2009)

Por tudo o que fez nesses quase 20 anos de carreira, acho que o Tortoise não precisa provar mais nada. Ainda mais depois da trinca Millions Now Living Will Never Die, TNT e Standards e do show que vi em São Paulo. E eu sinceramente nem sei muito bem o que esperar de novos discos da banda e costumo nem criar expectativas. Mas devo dizer que, de certa forma, Beacons of Ancestorship, para o bom ou para o mal, me pegou desprevenido.

Dá pra sacar logo de cara que pelo menos o Tortoise é uma das poucas bandas surgidas no bolo do pós-rock dos anos 90 que conseguiu seguir adiante com dignidade, sem cair no esquecimento ou na mesmice. “High Class Slim Came Floatin’ In” tem oito minutos e é a responsável pela abertura do álbum. Faixa pesada que parece três em uma, com muitas mudanças rítmicas. Enquanto isso, “Prepare Your Coffin” é puro Tortoise. Dizer isso explica tudo pra quem conhece a banda. É uma das melhores do disco, que segue com “Northern Something”, quase um baião eletrônico do mundo bizarro. A quarta faixa, “Gigantes”, é dançante apesar de torta, uma canção simples cuja batida a conduz até quase o final, quando sintetizadores e palmas tomam conta do todo.

Há ainda faixas curtas (“Penumbra”), pesadas (“Yinxianghechengqi”) e calmas (“The Fall Of Seven Diamonds Plus One”), tornando o termo post-rock simplesmente inútil para descrever o Tortoise aqui. Na sequência ouvimos “Minors”, que com guitarra e baixo característicos ao som do grupo deve agradar aos fãs. “Monument Six One Thousand” é um eletrônico sem muita inspiração até a entrada da guitarra e “de Chelly” prepara os ouvintes para “Charteroak Foundation”, cujo começo lembra muito “Zombie Eaters” (Faith No More), mas que, logo em seguida, ganha personalidade para encerrar o disco.

Beacons of Ancestorship é um álbum voltado muito mais para o ritmo do que para a melodia. As músicas estão, em sua grande maioria, apoiadas nas batidas e na parte rítmica, sendo assim um disco sonoramente mais seco do que Standards e It’s All Around You. Apesar de faltar sal em algumas músicas e o brilhantismo de outrora, é um bom disco que deixa transparecer uma importante busca por novas sonoridades e rumos, que podem render excelentes frutos num futuro próximo.

– Six

Nota:

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