The Fiery Furnaces – I’m Going Away

29.06.2009 — Música, Resenhas

The Fiery Furnaces
I’m Going Away
(Thrill Jockey; 2009)

Não dá pra esperar muita coisa do Fiery Furnaces, uma vez que cada trabalho de sua discografia é de um jeito, e certamente todos eles têm seu mérito. O que não quer dizer que sejam todos bons – acho o Rehearsing My Choir (2005) bem fraco, apesar de enaltecer sua ousadia. E em poucas palavras posso dizer que I’m Going Away, o sexto álbum oficial de estúdio do grupo, é direto, pop e bastante “normal” para algo que saiu da cabeça dos irmãos Friedberger.
 
O disco começa muito bem com “I’m Going Away”, faixa galopante com versos grudentos que são disparados de forma rápida e certeira por Eleanor. “Drive To Dallas” é uma balada bem agradável, que começa devagar, cresce e depois volta a ficar calma. Mantendo o clima, “The End Is Near” chega carregada de beleza graças ao piano de Matt, até ficar psicodélica por conta da guitarra. A animação volta a aperecer em “Charmaine Champagne”, cujo solo de guitarra lembra Os Mutantes. Já “Cut The Cake” é um misto de Bob Dylan com David Bowie, mas com Eleanor usando suas cordas vocais para dar um charme especial à canção. “Even In The Rain” dá continuidade à psicodelia pop que permeia o álbum todo. Duas das melhores do disco, “Keep Me In Dark” e “Lost At Sea” aparecem uma depois da outra, respectivamente, subindo o nível de I’m Going Away, que termina no alto graças à qualidade de “Cups and Punches” e “Take Me Round Again”.

Uma das decepções que tenho com novo álbum dos irmãos Friedberger é o fato da banda não ter usado muitos teclados, já comuns à sonoridade do Fiery Furnaces, preferindo se apegar ao bom e velho piano na grande maioria das canções. Aliás, o disco soa muito como uma jam de estúdio, com instrumentação básica e poucos efeitos.

Proposital ou não, I’m Going Away é um disco pop que definitivamente não se arrisca muito. Se com o EP (2005) a banda conseguiu um excelente resultado apresentando músicas curtas e de fácil digestão, o mesmo não acontece com todas as faixas do sexto trabalho do Fiery Furnaces, que esbarra na difícil missão de fazer música pop pura e simples. Há canções realmente boas, e outras que simplesmente não empolgam. Ainda assim, o disco flui extremamente bem, sem nunca se tornar cansativo, apesar de ter levado algumas audições pra pegar no tranco.

– Six

Nota:

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