The Dodos – Time To Die

14.07.2009 — Música, Resenhas

The Dodos
Time To Die
(Frenchkiss Records; 2009)

Visiter, disco que levou o Dodos a diversas listas de melhores do ano passado, mostrou o que uma dupla conseguia fazer com apenas duas baquetas e um violão. Durante as 14 faixas do álbum, a dupla Meric Long e Logan Kroeber alternou belas canções com algumas totalmente psicodélicas, todas sempre muito bem executadas, com percussão precisa e arranjos que preenchiam os espaços vazios de forma surpreendente.

E, sem dar tempo para respirarmos, como se fosse uma de suas energéticas canções, eles lançam Time To Die, novo álbum com 9 canções que mostram a evolução do agora trio – o vibrofonista Keaton Snyder é o novo membro – neste que é o terceiro disco da banda. Não segundo, como muitos pensam.

Time To Die começa com a bela “Small Deaths”, canção sem muita exaltação mas bela nos pequenos detalhes, como os backing vocals sutis, o bridge pesado contrabalanceando o bonito vibrafone e o final emocionante. “Longform” vem com mais atenção ainda aos detalhes; layers de vocais no começo, acordes que vem e vão, deixando a repetição menos repetitiva, e um pianinho lindo no final.

O baterista Logan não mostra tudo que é capaz de fazer com suas baquetas, muitas vezes ele é simples e econômico, porém, sempre contundente e em primeiro plano.

“Fables” daria um belo single com seu refrão marcante e o belo solo de guitarra no meio pro final da música. “The Strums” traz mais uma bela melodia ao disco com um violão mais calmo; enquanto “This Is a Business” soa forçadamente eufórica. Mas “Two Medicines” leva tudo para cima novamente, ela parece começar com o Panda Bear brincando com seu vocal, mas a canção logo cai em outra melodia com o vibrafone transformando a faixa numa das mais belas de Time To Die.

“Troll Nacht” e “Acorn Factory” são mais duas amostras da atenção aos detalhes da dupla; enquanto na primeira os arranjos se encaixam perfeitamente com as partes mais calmas e nervosas, na segunda o trabalho vem no dedilhado agudo do violão contraposto com os bumbos fortes da canção. “A Time To Die” fecha o álbum sem mais surpresas.

O que fica de Time To Die é a aparição de novos instrumentos e técnicas de gravação mais expostas; o resultado é mais do que positivo. Eles se exaltam menos e tocam mais, trabalham mais os arranjos e dão novo ar às suas características canções sem perder a identificação imediata das mesmas. Em questão de segundos, sabemos que se trata do Dodos; em questão de ouvidas, percebemos que, quando redondinhas, as melodias estão mais belas ainda.

Denis Fujito

Nota:

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