Akron/Family – Set ‘Em Wild, Set ‘Em Free

22.07.2009 — Música, Resenhas

Akron/Family
Set ‘Em Wild, Set ‘Em Free
(Dead Oceans; 2009)

Não consigo entender porque Set ‘Em Wild, Set ‘Em Free, disco lançado em maio pela ótima Dead Oceans, foi tão pouco comentado até agora. O Akron/Family, seguindo os passos de Love Is Simple (2007), consegue como poucos extrair o fino do rock, do country e da psicodelia nessas 11 novas canções e ponto final. Preste atenção.

“Everyone Is Guilty” abre o álbum em grande estilo com percussão e riffs insandecidos e um pequeno coral que cai em uma quebra de ritmo à Rolling Stones, mas logo volta ao ritmo inicial de guitarras abafadas e bateria aberta. “River”, na sequência, vem com uma belíssima melodia e detalhes nos arranjos de cair o queixo: são curtos solos que vem e vão, assobios, barulhos, backing vocals sussurrados e alguns momentos de silêncio que remetem aos primeiros anos do grupo, mas logo toda a banda reaparece e a beleza da canção se multiplica com seu crescendo.

“Creatures” começa moderna, falada e com a batida eletrônica para terminar só com um vocal e violão. “The Alps & The Orange Evergreen” retoma as velhas composições do grupo em uma canção baseada no violão. Mesmo sem Ryan Vanderhoof, o vocalista mais afinado do grupo, que deixou o grupo após a gravação de Love is Simple, a música emociona.

Esse começo de Set ‘Em Wild, Set ‘Em Free é arrebatador. Ah se eles fossem menos caipiras, menos esquizofrênicos em suas releituras do rock e do country. O que não faz sentido é que eles não soam caipiras e nem artísticos de mais. A dúvida persiste.

“Set ‘Em Free” é um curto intervalo ainda ao violão. “Gravelly Mountains of The Moon” é a mais estranha do álbum; barulhenta, recheada de guitarras e gritos, ela parece ser o outro modo do grupo meditar. “Many Ghosts”, como “Creatures”, mistura o velho e o novo. Mais minimalista que as demais, ela vem com alguma orquestração, uma batida mais moderna e o canto falado em algumas partes. “MBF” é tradicional no rock e competente no noise, enquanto “They Will Appear” surge em forma de mantra, com muitas vozes prolongando as notas e explode com guitarras, bateria forte e com todos gritando no final. Faixa muito próxima do empolgante show que o grupo é capaz de promover.

“Sun Will Shine (Warmth of The Sunship Version)” começa a caminhada para o final com um refrão repetido do começo ao fim, mas quem finaliza mesmo é “Last Year” com seu piano e coro gospel fora de sintonia.

Para você que reclama do hype e é incapaz de sentir alguma coisa com a música atual, o Akron/Family pode ser sua banda do coração e você a está ignorando. Set ‘Em Wild, Set ‘Em Free traz alguns dos melhores riffs de guitarra do ano, toda a empolgação dos shows do grupo e ainda emociona nas vozes e nos arranjos. Um disco atual de mistura de estilos e espírito elevado. Mais gritado, já que Ryan saiu do grupo para viver em um centro Budista, por isso, também, imediato.

Denis Fujito

Nota:

Tags: