Lightning Bolt – Power Of Salad

28.07.2009 — Música, Resenhas

Lightning Bolt
Power Of Salad (& Milkshakes)
(Load; 2003)

É totalmente aceitável o fato de muitos não gostarem do Lightning Bolt, mas eu duvido que alguém seja capaz de negar que eles são uma das bandas mais intensas da atualidade. Talvez de todos os tempos. É claro que eu também não preciso falar da importância dos álbuns Wonderful Rainbow (2003) Hypermagic Mountain (2005), pois você provavelmente já sabe disso (ou deveria saber). Mas nem todo mundo viu o documentário Power Of Salad, lançado em 2003. E é pra isso que serve essa resenha, senhoras e senhores.

A ideia é bem simples: dois câmeras seguem uma turnê da banda, viajando de carro com os membros para filmar diversos shows. E, caso você não saiba, o Lightning Bolt toca no chão, colado ao público. O som é extremamente alto e a energia pode até ser comparada a de um show punk ou metal mas, pra dizer a verdade, nada disso é preciso o suficiente para descrever o que é uma apresentação do duo. O papel de frontman fica por conta do baterista e vocalista Brian Chippendale, enquanto o baixista Brian Gibson, que em determinado momento diz não gostar de ser o centro das atenções, desempenha o papel do quieto, mesmo que seu instrumento seja monstruosamente chamativo, graças às distorções e efeitos proporcionados por seus pedais.

Cada momento parece ser especial à sua maneira, mas talvez o ponto alto da turnê seja o show dentro da cozinha de um sujeito no Texas – apresentação na qual a geladeira da residência fica aberta e meia dúzia de caipiras vão ao delírio até a polícia chegar. Vale citar também, apenas como curiosidade, a presença da baterista Kim (Matt & Kim) sorrindo (obviamente) em um dos shows, enquanto muitos dos presentes cobrem os ouvidos com as mãos por conta da altura extrema do som. Ou de Guy Picciotto, do Fugazi, que aparece brevemente ao final de uma das apresentações.

Também chama a atenção durante as filmagens a total falta de apego dos membros com qualquer coisa. A dupla usa roupas feias, rasgadas e velhas e os cortes de cabelo definitivamente não são dos melhores, apresentando falhas grotescas. Além disso, a maioria dos shows costuma ser em locais precários, com equipamento de baixa qualidade ou simplesmente velho. Nada que impeça a banda de fazer grandes apresentações, agradando de nerds e garotas a metaleiros cabeludos e mendigos.

Definitivamente a sonoridade do Lightning Bolt não é pra qualquer um e nem pra qualquer hora. O nível da intensidade, a bateria frenética e o som completamente estourado do baixo-guitarra sempre irão afastar muita gente. Mas acredito que o documentário Power Of Salad seja pra qualquer pessoa que se interesse por música. Trata-se de um registro espetacular – mesmo sendo esteticamente simples – e altamente recomendado.

– Six

Nota:

Tags: