Magnolia Electric Co. – Josephine

29.07.2009 — Música, Resenhas

Magnolia Electric Co.
Josephine
(Secretly Canadian; 2003)

Impossível não traçar uma trajetória na carreira de Jason Molina para falar de seu novo disco, Josephine, pois é clara a mudança em suas composições no decorrer de sua carreira, como Songs: Ohia, Jason Molina ou Magnolia Electric Co.. A mudança não foi drástica, não mudou com os nomes. Foi mudando conforme os discos foram sendo lançados. Até certo ponto pelo menos.

Vejo em The Lioness (2000), por exemplo, canções cruas e livres de qualquer cacoetes vocais, enquanto em Axxess & Ace (1999), o disco anterior, Jason vinha com um swing minimalista e de pouca instrumentação bastante comovente. Didn’t It Rain (2002) é extremamente solitário e melancólico, mas já era possível notar nele fortes influências do country e folk mais tradicional. Influências essas que explodem no último álbum de Jason como Songs: Ohia, o Magnolia Electric Co. (2003), que aparece com uma banda completa e competente, de backing vocals lindos e arranjos no violão e na guitarra maravilhosos.

Fading Trails (2005), já como Magnolia Electric Co., soa como uma continuação natural de Magnolia, o disco, com o grupo em sintonia completa e Jason se sentindo bem com seu chapéu de cowboy, e Sojourner (2007) é uma compilação nada modesta de 4 discos com raras pérolas e demos de qualidade indiscutível, um punhado do que ele foi e é capaz de fazer com seu violão e sua voz.

Mesmo que sejam mais tradicionais, os discos como Magnolia Electric Co. preenchem boa parte da minha necessidade por um country calcado do rock. Seu violão triste e sua voz inconfundível, apesar de algumas manias de grande cantor adquiridas com o tempo, dão às suas melodias mais normais um belo ar nostálgico.

Porém, Josephine, seu novo álbum, é chato, reto.

Jason Molina senta confortavelmente em frente à uma lareira com suas botas de couro e cigarro no canto da boca. Ele reúne seu grupo para homenagear Evan Farrell, ex baixista do grupo, morto em 2007, e para tanto parece misturar a sua memória musical com alguns rascunhos que carrega na cabeça há anos; se esforça para fazer jus ao seu amigo, mas tudo que consegue é imprimir algumas de suas características para canções com a cara do passado, do passado genérico. Josephine soa um pouco preguiçoso por não ser mais pessoal, por confiar em características que são quase clichês seus, por isso também não comove e me mostra um Jason Molina satisfeito em suas botas. Justo, mas chato.

Denis Fujito

Nota:

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