Cass McCombs – Catacombs

17.08.2009 — Música, Resenhas

Cass McCombs
Catacombs
(Domino Records; 2009)

Se tem uma coisa notável em Catacombs, quarto disco de Cass McCombs, é sua produção. Durante as onze canções do álbum nota-se um destaque peculiar para a bateria e para o baixo. Eles aparecem em primeiro plano e com um som seco, dão um ar empoeirado à música de Cass que não teria força só com sua voz e guitarra. Catacombs ressalta um quê de música de saloon que pouco se ouve por aí. É quase possível sentir o chão de madeira embaixo dos nossos pés.

“Dreams Come True Girl”, primeiro single do álbum, é precisa no que se propõe. Retoma o clima intimista que Conor Oberst parece ter esquecido após ter feito I’m Wide Awake It’s Morning (2005) e traz um belo dueto com a atriz Karen Black. “Prima Donna”, na sequência, é a primeira do álbum a contar uma história sem refrão. São versos que crescem e somem conforme Cass McCombs toca seu violão com força ou de forma fraca. Apesar de normal, esse começo de Catacombs é muito bonito e vê seu ápice em “You Saved My Life”, segundo single e uma das melhores canções do ano. De mudanças sutis, na voz e no clima, a faixa mostra todo o minimalismo do disco funcionando perfeitamente. O agudo contrastando com o sussurro, o bumbo ganhando força com o baixo forte, a guitarra com belíssimos solos country ao fundo e o sobe e desce da canção em emocionantes 5 minutos e 24 segundos.

Por aqui já dá para perceber que Cass McCombs não veio trazer mais um disco com dois singles e um punhado de sobras. “Don’t Vote” pode ser vista como uma alternativa para o esquerdismo de Conor. Ao invés do discurso contundente, uma história velha mas com alguma mensagem no fundo. “The Executioner’s Song” é outro exemplo. Cass resume em um jogo de palavras a batalha interna de milhares de contemporâneos: “There is work that is play/ There is play that is work/ And play that is play/ And work that is work”. Tão simples quanto a percussão que toca ao fundo.

O álbum segue preservando o silêncio e o som acústico. “Harmonia” vem com toda a banda alternando os holofotes em, sim, harmonia incrível, e “My Sister My Spouse” é a última grande canção do álbum, com uma bateria marcando bem o tempo, um violão só como pano de fundo e belas linhas de backing vocal.

A partir da repetitiva “Lionkiller Got Married”, o disco perde um pouco sua força. “Eavesdropping On The Competition” é sem graça, “Jonesy Boy” aumenta uma unha o volume da guitarra e destoa de forma negativa, e “One Way To Go” fecha Catacombs de forma caricata.

Mas nada poderia tirar o mérito de Cass McCombs, que finalmente conseguiu produzir um som praticamente único neste mar de compositores que tentam explorar a música dos grotões norte-americanos nos últimos anos.

Denis Fujito

Nota:

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