Nurses – Apple’s Acre

20.08.2009 — Música, Resenhas

Nurses
Apple’s Acre
(Dead Oceans; 2009)

Tem algo de sensacional em Apple’s Acre. Pegue a faixa título, por exemplo, repare em como ela começa com uma introdução circense, com Aaron Chapman, o vocalista, entrando numa melodia estranha, nas vozes que se somam no refrão e no piano maravilhoso ao fundo (sem falar no "Pitagoras Switch" do final). "Apple’s Acre" é espetacular porque renova, apenas um ano depois, o que o Born Ruffians trouxe de fresco com Red, Yellow and Blue (2008).

Tire o baterista frenético do Born Ruffians e coloque algumas bases eletrônicas, percussão torta e bateria simples. Tire também as guitarras e preencha as melodias com linhas de piano, de Rhodes e eventuais violões. Multiplique as vozes.

"Technicolor", a primeira canção, parece ser uma canção do Woods ao piano, até as camadas de barulhos eletrônicos se desdobrarem e sua melodia mudar para algo mais grandioso. "Mile After Mile", na sequência, vem calma e misteriosa, incorporando o Beach House em belos 4 minutos. "Caterpillar Playground" vem na sequência com assobios no lugar de refrões e seu minimalismo traz, uma vez mais, o Born Ruffians à mente.

Parece errado comparar o Nurses a tantas bandas dessa forma, mas não é o caso. Eles conseguem pegar muita coisa boa que foi tratada com desdém nos últimos anos e trazem um disco muito propício para o fim da década. Um pouco porque eles ignoram o folk em uma de suas casas (eles são da Dead Oceans, gravadora responsável pelos discos do Bowerbirds, Phosphorescent, Califone e outros), com isso trazem uma nova ideia para o estilo, outro tanto porque a psicodelia nunca é exagerada, nem o pop, porque também as colagens e as batidas soam muito naturais e o resultado é bastante fantástico e fantasioso.

Pegar estilos tratados com desdém não vai trazer à banda muito mais do que desdém, consigo prever daqui. Uma pena. O Nurses traz nova luz aos estilos em que passeia sem nunca forçar a barra. Apple’s Acre é um modesto presente de fim de década que você deveria aproveitar.

Denis Fujito

Nota:

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