Doug Paisley – Doug Paisley

08.09.2009 — Música, Resenhas

Doug Paisley
Doug Paisley
(No Quarter; 2008/2009)

Doug Paisley é um canadense com todos os pés na música country dos Estados Unidos, mas dizer apenas isso seria muito pouco, se a resenha fosse um twitter ela faria as pessoas o compararem com o mestre Neil Young, na tentativa de desmerecer Doug Paisley. Um erro. Pois Doug não é um cara restrito, ele traz melodias pop e arranjos ousados à música country, e um primeiro disco de dar inveja aos singer/songwriters do mundo, essa raça quase extinta.

Logo de cara, em "What About Us?" Doug canta sobre amor ao som de um violão e de um teclado em uma canção totalmente pop. "Broken In Two" traz uma linha de vocal mais country, cortada, quase forçando um sotaque interiorano norte-americano, mas o resultado é mais uma canção intimista e bonita. "Digging In The Ground", a terceira faixa, mostra a versatilidade do cantor e compositor em renovar o clima do álbum com mudanças sutis. Uma voz feminina o acompanha no refrão, mas é a curta linha de piano nas partes sem voz que transforma a canção numa das mais marcantes do auto-intitulado álbum do cantor, o primeiro.

"Last Duet", sim, é country sem discussão, com o típico dueto aparecendo de forma excepcional, mas ao contrário do que o nome dá a entender, ele não é o último. "We Weather", na sequência, vem com solos mais bluegrass floreando a canção, enquanto o dueto ganha força no refrão. "Take My Hand" traz sopros pontuais, preenchendo bem os espaços vazios junto com o teclado, enquanto em "Wide Open Plain", Doug aparece sozinho e mostra o que sabe fazer com o violão. "Take Me With You" vem cadenceada, devagar, um Smog de voz country, e "A Day Is Very Long" fecha o curto disco de forma leve, pop, um She & Him bem mais honesto.

Doug Paisley, o álbum, é leve e bonito com bem pouco, que não se mantém reto com uma mistura sutil de elementos e arranjos diferentes sem soar estranhos. Sem exageros e sem ser minimalista, o disco está se mostrando ideal para esse dia chuvoso e caótico.

Denis Fujito

Nota:

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