The Clientele – Bonfires On The Heath

11.09.2009 — Música, Resenhas

The Clientele
Bonfires On The Heath
(Merge Records; 2009)

Um grupo com músicos que sabem exatamente quais notas querem extrair de seus instrumentos é uma coisa um tanto difícil de se ver. Muita coisa soa largada por aí. Não é o caso de Bonfires On The Heath, que vem repleto dessa confiança, a de um grupo que trabalhou muito em cima de cada canção e cada arranjo.

"I Wonder Who We Are" mostra logo nos primeiros 20 segundos quão bonito pode ser o som do Clientele e quão bem produzido Bonfires On The Heath, quarto disco de estúdio do grupo, está. O baixo aparece suave e lindo (como em todo o disco), a guitarra um pouco mais baixa vem sem novidades, o piano, um violão dedilhado e os metais brincam ao fundo e param repentinamente para Alasdair MacLean entrar com sua voz arrastada característica, com ele a sensação de como é bom ouvir o Clientele de novo. Na faixa título, o piano e a guitarra conversam e se intercalam como se fossem um só; "Harvest Time" surpreende na mudança do vocal de Alasdair no refrão; e o começo de "Jennifer and Julia" relembra os primeiros anos do grupo com um baixo básico, curtos riffs de guitarra e Alasdair melancólico, mas um trompete e backing vocals dão mais corpo à canção e mostram que o Clientele está, sim, diferente.

"Sketch", o curto interlúdio, comprova a mudança. O trio invade num rock com teclado setentista, enquanto Alasdair sussurra palavras. Mas a mais notável é "Share The Night", que já havia sido lançada no EP do ano passado, That Night, a Forest Grew, e reaparece com produção exagerada. Camadas e camadas de solos de trompete e guitarra pipocam e a essência da canção, belíssima no EP, some. "I Know I’ll See Your Face" sofre do mesmo mal com o trompete e o violão "espanhóis" em maior destaque desnecessariamente.

Confiança é sempre um bom ingrediente para quem sabe o que faz e para quem não faz música juvenil, como é o caso do Clientele. Mas o grupo, em Bonfire On The Heath, exagera um pouco. Os dois discos anteriores, Strange Geometry (2005) e God Save The Clientele (2007), são bem produzidos sem perder o clima mais despretensioso de um grupo que só lançava 7” produzidos por eles mesmos. Ainda assim é ótimo acompanhar a trajetória do Clientele; é ótimo ouvir o Clientele novamente. A sensação é única.

Denis Fujito

Nota:

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