Califone – All My Friends Are Funeral Singers

16.09.2009 — Música, Resenhas

Califone
All My Friends Are Funeral Singers
(Dead Oceans; 2009)

No começo do ano, Tim Rutili e Ben Massarella viram Bunny Gets Paid, disco de 1995 de sua antiga banda, o Red Red Meat, ser relançado pela Sub Pop. Diria que ele veio um pouco tarde se levarmos em consideração o quanto o Red Red Meat pode ter influenciado o tal do psych folk, mas esse relançamento não foi em vão, pois com certeza o disco ganhou uma exposição que não havia conseguido na época. Mesmo que tardio, a justiça e muitos créditos vão para Tim, Ben e o restante do Red Red Meat.

Mas isso é passado. Quase quinze anos é bastante coisa. Há mais de dez Tim e Ben já conduzem outro grupo, o Califone, e All My Friends Are Funeral Singers, o nono álbum de estúdio da banda, mostra a evolução nas composições de ambos nesses quase quinze anos. Algo que deveria ser natural às bandas, às que não se conformam facilmente pelo menos.

"Giving Away The Bride" abre All My Friends Are Funeral Singers com a estranheza que o Califone vem alimentando há anos com uma ousadia extra; a canção traz um toque eletrônico e uma batida tribal vagarosa, com os elementos se alternando conforme o vai e vem da canção e dos versos. Introdução de arrepiar que contrasta com a mais calma "Polish Girls". "1928", na sequência, é de despedaçar o coração com sua percussão leve mas contundente e seu riff hipnótico.

O começo que já é arrebatador fica mais ainda com o single "Funeral Singers" e seu violão solitário. Um intervalo de 30 segundos abre caminho para "Buñuel" comprovar o quanto o grupo amadureceu na parte rock ao se livrar de melodias mais simples influenciadas pelos anos 90 notáveis em diversas canções do grupo. Sua melodia relembra um pouco a The Band enquanto o grupo encorpa a música com violino e backing vocals, mas são os solos de guitarra que dão todo o glamur à canção.

"Ape-like" muda o ritmo do álbum e vem em clima country, enquanto "Evidence", ao piano, é bela e tranquila, o meio/final de "Alice Marble Gray" quebra a repetição do violão com um solo simples e um trompete melancólico, ambos muito bonitos. E o final segue sem grandes alterções.

All My Friends Are Funeral Singers no final das contas soa mais acessível do que qualquer outro lançamento do grupo. Não necessariamente mais pop, talvez mais bonito. O disco, além de comprovar a evolução possível de compositores vindos dos anos 90, mostra um grupo que sempre foi aberto a experimentações produzir seu disco mais harmônico de toda sua carreira. Uma vez mais, o Califone fez um dos discos do ano. Ainda há tempo de justiça para eles, pois este novo lançamento soa mais atemporal do que Bunny Gets Paid. Por isso, não espere um relançamento daqui a quinze anos, All My Frineds Are Funeral Singers merece sua atenção imediata.

Denis Fujito

Nota:

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