Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix

29.09.2009 — Música, Resenhas

Phoenix
Wolfgang Amadeus Phoenix
(Glassnote/Loyauté, 2009)

Meses se passaram desde que Wolfgang Amadeus Phoenix vazou. Pros mais chatos, o disco até parece do ano passado. Enfim, o negócio é que não posso mais ignorá-lo como fiz (acertadamente, eu acho) com os lançamentos anteriores do Phoenix. Não posso porque já faz meses que o escuto pelo menos uma vez por semana. Foram várias vezes já. Faça as contas.

Ao contrário dos discos anteriores do grupo, que vinham com no máximo duas músicas boas e o resto de restos, Wolfgang Amadeus Phoenix é um disco que atinge seu auge logo na primeira canção e se mantém em cima até o final.

Como música pop, "Lisztomania", a primeira faixa e o primeiro single, é talvez a maior representante de 2009. Ela vem dosada de forma espetacular, com o baixo alto, a quebrada de ritmo de fazer os mais frios baterem os pés com um largo sorriso no rosto, o refrão mais do que grudento e a influência de Strokes e New Order bem mais sutil do que já foi. É uma canção pop completa que, deliberadamente, acredito, mistura influências dos anos 80 e atuais sem ser saudosista ou aproveitador. Essa batalha, a principal para 90% dos grupos pop de hoje, foi vencida com louvor em "Lisztomania".

"1901", o segundo single, aparece com o refrão preenchido de instrumentos em um caos extremamente organizado e com os teclados que fazem a canção crescer de forma surpreendente. "Fences" acalma os ânimos em um momento crucial pois, colada em "Love Like a Sunset Part 1", o longo interlúdio, o grupo mostra que estava consciente com a possibilidade do álbum ficar muito igual. A faixa é longa e estranha, além de praticamente toda instrumental e dura, enquanto o restante é dançante e apoiado no vocal de Thomas Mars. Piano e batidas abrem o caminho e brincam por 6 minutos, quando de repente "Love Like a Sunset Part 2" revela a bela melodia da faixa, quase brega de tão bonita, com poucos e preciosos segundos. Chamo isso de um grupo bastante consciente.

Consciência mantida até o final, pois Wolfgang Amadeus Phoenix apesar de não mostrar mais novidades na segunda parte, não enjoa.

Em sua busca por um pop perfeito, o Phoenix soa até desumano quando consegue algo tão bom e imediato. Tenho certeza que algumas canções pop, sejam de qual grupo for, podem te hipnotizar como só o velho Fábio Puentes consegue, mas poucas sobreviverão com o passar do tempo. Daqui a dez anos, Wolfgang Amadeus Phoenix será um dos pilares fortes da música pop dessa década. O grupo dá uma aula em melodia, a música fala mais alto do que qualquer preconceito, a produção é impecável e o disco garante merecidos louros para esse grupo que sempre foi saudosista e/ou simplesmente da modinha. Não mais. Não aqui.

Denis Fujito

Nota:

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