Mayer Hawthorne – A Strange Arrangement

30.09.2009 — Música, Resenhas

Mayer Hawthorne
A Strange Arrangement
(Stones Throw; 2009)

O retrô muitas vezes pode ser irritante. Tentar soar como algo antigo e não acrescentar nada de novo quase nunca acaba bem. Não é o que acontece, felizmente, em A Strange Arrangement, disco de estreia de Mayer Hawthorne.

Na verdade, Mayer Hawthorne é apenas o pseudônimo de DJ Haircut, sujeito nascido no estado de Michigan, nos Estados Unidos, onde muita coisa boa de soul/R&B foi produzida nas décadas de 60 e 70, principalmente em Detroit, sua capital. Foi nesse cenário que Mayer cresceu, com um pai músico que o ensinou a tocar diversos instrumentos.

Tudo certo? Quase, não fosse por Mayer ser um branquelo nerd que aparenta vir da classe média alta americana. Por isso, A Strange Arrangement deve causar muita desconfiança por aí. A capa equivocada traz uma imagem de Mayer vestindo um terno azul e falando ao telefone em um lugar propositalmente brega. Tudo parece piada e pode afastar possíveis interessados naquilo que é o mais importante, a música presente ali dentro: um soul muito bem tocado com timbres impecáveis e excelentes arranjos, fiéis às principais influências de Mayer.

O álbum conta com dois inegáveis e imediatos hits: “Just Ain’t Gonna Work Out” e “Maybe So, Maybe No”, que aparecem logo em seu começo. Como em todo soul que se preze, o baixo marca bem o ritmo ao lado da bateria, os vocais contém boa dose de emoção e até lindos naipes de metal dão o ar da graça ao lado de teclados gordos. Vale citar aqui que Mayer tocou praticamente tudo o que você ouve no disco, com exceção de um ou outro detalhe.

Mayer acerta na mosca quando cita Smokey Robinson, Leroy Hutson e Curtis Mayfield como inspiração, uma vez que os timbres do disco e sua voz suave nos faz lembrar exatamente desses nomes. Isso fica mais do que claro em faixas como “I Wish It Would Rain”, “One Track Mind” e “Shiny & New”, três dos maiores destaques do álbum, que mantém o nível quase sempre no topo até seu final, alcançando resultados bem melhores do que nomes como Jamie Lidell, por exemplo.

Mas isso não quer dizer que A Strange Arrangement não tenha problemas. Talvez o principal deles esteja na voz de Mayer, um pouco fraca para o gênero. Sinto falta também de uma gravação menos limpa, mais crua e solta – algo tão presente nos discos de soul do final da década de 60 –, embora talvez eu esteja sendo chato demais. Pois esse é um daqueles álbuns que, apesar de provavelmente não conseguir o merecido destaque na mídia, pode te fazer companhia por muitos e muitos anos.

– Six

Nota:

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