Emily Jane White – Victorian America

29.10.2009 — Música, Resenhas

Emily Jane White
Victorian America
(Talitres Records; 2009)

Na primeira música do seu primeiro disco, Dark Undercoat (2007), Emily Jane White canta "I said oh oh, Bessie Smith why do you hang your head so low/ I would die in heaven just to meet your soul". Escutando Dark Undercoat do início ao fim e, agora, seu novo disco, Victorian America, é fácil dizer que musicalmente Emily pouco se assemelha ao blues da década de 20 de Bessie Smith. A linhagem a ser seguida aqui é outra, pois sua música lembra um pouco a PJ Harvey e, principalmente, o começo da carreira de Cat Power, que, assim como ela, morreria por algumas cantoras blues e soul. Então o que une Emily de Chan e de Bessie e, arrisco, de Billie, de Scout, de Ella e outras? Além da voz rouca, potente, o blues que não está no ritmo, mas no sentimento.

Por isso também não é loucura ouvir "The Country Life", sexta faixa, e perceber belos slides country. Ou notar que as sutis quebras de ritmo e a orquestração ao fundo de "Stairs", faixa de seis minutos, carrega um belo toque de Joanna Newsom. "Baby" lembra uma típica canção da Cat Power com mais um pouco de belas e sutis orquestrações. "Frozen Heart" é levada ao piano quando Emily canta e recheada de graves, bumbos e violinos no meio. Em "Liza", Emily canta "I woke up today / And thought that death had swept me away" em uma de suas canções mais leves, sem contrastes dramáticos, quando de repente uma bateria começa a encorpar a música e a carrega inquieta até a volta da paz no final.

Se musicalmente as semelhanças foram ditas, na força melancólica e obscura de Victorian America Emily Jane White se aproxima de Marissa Nadler. Ela segura, por exemplo, "The Ravens" por sete minutos com seu violão sem deixar a potência da canção cair por um segundo se quer.

As orquestrações a ajudam muito ao longo do álbum, mas é sua voz que está em primeiro plano sempre. Como Bessie e outras cantoras de blues e soul, Emily confia em sua voz e essa é sua escolha mais acertada. Em seu site oficial ela diz: "Estou destinada a escrever músicas tristes. Músicas reflexivas e contemplativas. Eu realmente acredito que esse seja o meu trabalho. Não é o meu trabalho fazer música feliz". Naquilo que ela acredita, Emily consegue encorporar bem suas influências. Não é preciso ouvir mais de duas notas para concluirmos que White é branca, mas sua personalidade forte e sua intensidade fazem de seu blues pessoal algo notável.

Denis Fujito

Nota:

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