Johnny Foreigner – Grace and The Bigger Picture

06.11.2009 — Música, Resenhas

Johnny Foreigner
Grace and The Bigger Picture
(Best Before Records; 2009)

É meio triste ter que falar de Grace and The Bigger Picture, novo disco do Johnny Foreigner, sabendo que Waited Up Til It Was Light (2008), álbum de estreia deste trio inglês, não recebeu nem um décimo da atenção merecida. Mais triste ainda pois Grace não tem metade do impacto e do frescor de Waited.

Mas tudo bem. A vida segue.

Grace and The Bigger Picture, porém, não é um fracasso. Longe disso. Com um monte de canções curtas, 13 das 15 com menos de três minutos, o álbum traz um punhado de boas ideias, algumas bem exclusivas do Johnny Foreigner, mas muitas delas simplesmente pouco trabalhadas. O que dá a sensação de um disco de esboços, de ideias, livre de experimentações, de algo como "vamos gravar e ver no que dá". Deu no que parece ser, apesar de provavelmente não ser, um bom disco de esboços. O ponto positivo é a duração de cada canção. Quando as coisas não andam tão bem, sem problemas, em poucos segundos tudo estará acabado. E mais. Quando as coisas andam bem para o Johnny Foreigner, ótimo, não há um segundo sequer de enrolação. É tudo direto ao ponto.

O começo passa sem grandes emoções apesar do esforço do trio. Mas quando a sequência de "Feels Like Summer", "I’llchoosemysideandshutup, Alright" e "Criminals" aparece, eu relembro porque Waited Up Til It Was Light bateu tão forte na minha parte guitar pop da alma, sedenta por guitarras altas e melodias grudentas. Na primeira, Alexei Berrow e Kelly Southern parecem cantar duas músicas diferentes em uma só, um sobrepõe a voz do outro enquanto a guitarra e o baixo unem tudo nas diversas quebradas de ritmo que a canção tem em menos de dois minutos. A segunda, uma breve balada com Kelly nos vocais, começa e termina tranquila e abre caminho para "Criminals" de altos e baixos, de gritos e sussurros, de voz masculina e feminina, trabalharem em perfeita harmonia power pop.

Entre a sujeira pop do Times New Viking de Rip It Off (2008) e o pop frenético dos Campesinos, o Johnny Foreigner mostra que tem menos cartas na manga que os citados, mas a paixão arrebatada a cada segundo é, no mínimo, refrescante. E apesar de mais restritos, eles conseguem extrair algumas melodias preciosas, como "Dark Harbourzz", que vem com um refrão tão pegajoso como os do disco anterior, e "Every Cloakroom Ever", simplesmente a melhor balada que o grupo já lançou, com foco no baixo incrivelmente alto e na bela melodia de voz de Kelly.

Por ser inglês e não ter seus discos lançados nos EUA, o Johnny Foreigner fica parecendo o João Ninguém da história. Não caia nessa. A liberdade em divertir e se divertir, sem nenhum pé atrás e livres de ironia aproximam a banda do pop do Japandroids, do Born Ruffians e do Times New Viking, por exemplo, e os afastam da chatice britânica que vem tomando conta das bandas guiadas por guitarras daqueles lados.

Denis Fujito

Nota:

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