Washed Out – High Times

09.11.2009 — Música, Resenhas

Washed Out
High Times
(Mirror Universe; 2009)

Terreno escorregadio esse High Times, do Washed Out. São nove breves canções focadas no electro, no new age e no trance, gravadas totalmente em casa e lançadas juntas somente em fita K7. Isso não me cheira muito bem. Aliás, me cheira exatamente a fitas K7s new age jogadas na feira do Bixiga vendidas por um velhinho a 50 centavos ao lado de uma Barbie genérica sem uma das pernas.

Porém, com o preconceito de lado, High Times começa interessante; "Belong" traz uma melodia a Stone Roses em cima de uma batida caseira; "Good Luck", na sequência, traz um baixo constante e hipnotzante, com um Ernest Greene, o Washed Out, consciente de que um minuto para a faixa é mais do que suficiente; e "Phone Call" repete do começo ao fim uma batida e um sample de voz que não cansa pois além dos vocais de Greene, vozes gravadas, aparentemente ao telefone, aparecem no final da canção e encorpam seu trance caseiro.

Até "Olivia" chegar. A faixa me soa tão divertida quanto ver uma daquelas típicas vinhetas da VH1 com alguma banda tosca do final dos anos 80 por dois minutos. E eu penso: "isso aqui é realmente necessário? É para se levar a sério tudo isso?"

Apesar de alguns bons momentos, High Times, no geral, parece realmente um cara brincando com algumas de suas memórias musicais, como estão dizendo por aí, e não alguém que ama os estilos com os quais trabalha. O que torna irrelevante, até mesmo para o próprio Greene, se sua fita acabar em alguma feirinha distante, valendo cinquenta centavos. Um bom distanciamento para o artista, acredito, mas poderia ele amar aquilo que faz? Não sinto nenhum tipo de paixão em High Times. Não sinto necessidade de escutar a essa "fita" novamente. Só fico no aguardo do vinil.

Denis Fujito

Nota:

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