Norfolk & Western – Dinero Severo

11.11.2009 — Música, Resenhas

Norfolk & Western
Dinero Severo
(Hush Records; 2009)

Um disco chamado Dinero Severo não pode ser ruim. E não é.

Sexto disco da carreira do Norfolk & Western, Dinero Severo vem com poucas novidades no som deste grupo de Portland. “Hiding Home” e “Opinion”, as duas primeiras canções, são belas em suas melodias pop com os dois pés no começo dos anos 70 vividos pela The Band, a primeira com um piano guiando e um refrão reforçado pela voz feminina de Rachel Blumberg, membro do Decemberists, Mirah e Bright Eyes; enquanto a segunda um rock básico levado pelo baixo.

É “Turkish Wine”, a terceira faixa, porém, que traz um pouco de novidade e peso ao som do grupo e onde a distorção não contrasta com a leveza que geralmente envolve suas canções, mas, sim, complementa. Com os 30 segundos finais guardados para uma espécie de trilha para algum James Bond.

Se Dinero Severo não traz mudanças no som do Norfolk & Western – e nem precisaria -, ele reforça a beleza que o grupo é capaz de extrair da simplicidade do folk. “The Long Goodbye” carrega todas as qualidades do grupo: a voz sem rodeios de Adam Selzer, o bonito backing vocal de Rachel, a linha simples da melodia e do piano e, claro, os solos de guitarra com sua distorção extra que surgem como uma revoada barulhenta de pássaros no meio de uma paisagem bucólica e somem como se nunca tivessem existidos.

Lá na primeira música, “Hiding Home”, Adam canta sua necessidade por ouvir histórias, “Cause all our friends are just stories that they tell/ and sometimes we don’t even care/ as long as stories are told”. Em Dinero Severo, Adam conta mais um punhado de belas histórias. Muitos vão neglicenciá-las. Normal. Mas seu trabalho como “amigo” foi muito bem cumprido mais uma vez.

Quando comparado a outros desses nossos “amigos” contadores de histórias, Adam e sua banda podem não ser os mais articulados, os mais prolíficos e nem os mais talentosos, mas eles são capazes de, juntos, tirar uma beleza quase inacreditável da simplicidade de seus instrumentos e vozes.

Denis Fujito

Nota:

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