A Sunny Day In Glasgow – Ashes Grammar

18.11.2009 — Música, Resenhas

A Sunny Day In Glasgow
Ashes Grammar
(Mis Ojos Discos; 2009)

Logo em sua estreia, em Scribble Mural Comic Journal (2007), o A Sunny Day In Glasgow acabou sendo estigmatizado como shoegazer. Um shoegazer, porém, no qual as guitarras distorcidas e características davam espaço para barulhos e efeitos guiados pelo computador. O que entregava a influência do estilo na música de Ben Daniels, o homem por trás do grupo, eram, principalmente, os vocais arrastados, sussurrados e densos de suas irmãs gêmeas, Robin e Lauren Daniels.

Um bom disco, um dos destaques do ano de 2007 para nós do Suppaduppa, que mostrava um grupo com real potencial mas não uma verdade, com algo concreto em mãos.

Pois concreto mesmo é Ashes Grammar, novo trabalho do grupo.

Os vocais continuam ali, mesmo que cantados por outras vocalistas (só Robin Daniels, das irmãs, canta no álbum e não em todas as faixas), o que muda é o clima extraído dos elementos shoegazer quando somados a outras influências e sentimentos.

“Shy”, por exemplo, traz um sintetizador insistente do início ao fim, intimista e reto, mas sua bateria aberta e a desenvoltura do vocal feminino transformam a faixa em uma pérola dançante e fresca. Um dançante diferente é promovido pelo ASDIG. Ashes Grammar conquista individualmente seus ouvintes; pelo fone de ouvido e não por grandes caixas acústicas estourando janelas numa festa. “Evil, With Evil, Against Evil”, por exemplo, mostra em pouco mais de dois minutos o trabalho dos sintetizadores que passeiam de um ouvido a outro, enquanto “Failure” traz uma batida tribal com influência de Animal Collective mas mais contida; e “Passionate Introverts” retoma a calma de um Four Tet. Os pequenos detalhes que permeiam as 22 faixas do álbum são capazes de te fazer ter espasmos incontroláveis no meio de um ônibus lotado.

Ponto mais do que positivo. Pois como você escuta sua música em grande parte do tempo, se não pelo fone de ouvido (ou sozinho em seu carro com o volume estourando)? Solitários em seus mundos, as pessoas passam por você com um fone branco feio e ruim, sem muito interesse por qualquer outra coisa a não ser sua própria imaginação. É possível se livrar daquilo que você considera poluição sonora, daquilo que te atrapalha, com um singelo par de fones. Ashes Grammar não liga para o coletivismo gratuito. Ben Daniels é um cara na dele que se relaciona com diversas pessoas do mundo enfatizando detalhes, sussurando melodias, transformando o ato de ouvir música sozinho em uma experiência realmente relevante e não um mero passatempo. Eu simplesmente acredito e apoio a dança solitária de loucos no meio da rua, do nada.

Denis Fujito

Nota:

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