Fuck Buttons – Tarot Sport

27.11.2009 — Música, Resenhas

Fuck Buttons
Tarot Sport
(ATP Recordings; 2009)

O Fuck Buttons, dupla de Bristol, Reino Unido, sinto, dá continuidade ao som de um outro grupo britânico, o 65daysofstatic, de Sheffield, que, apesar de ter lançado dois ótimos discos no meio da década, ficou estagnado no uso do barulho como elemento fundamental de sua música. The Fall of Math (2004) e One Time For All Time (2005), os dois primeiros álbuns do 65, são claramente post-rock, com a formação clássica de duas guitarras, um baixo e uma bateria, mas com o uso de noise e programações suficientes para transformar o estilo em algo bastante atual (em 2004) e, até certo ponto, novo.

Apesar de não ser post-rock, o Fuck Buttons claramente bebe da fonte. Joe Colly, em sua resenha para o Pitchfork, diz que Tarot Sport se relaciona com o estilo pois o Fuck Buttons sempre teve uma inclinação para construir épicos,.Comparando com o primeiro álbum, Street Horrrsing (2008), Joe diz que "longe estão os acordes de guitarras frenéticos e chorosos que preenchiam Street Horrrsing. Em seus lugares as novas canções são praticamente todas construídas a partir de texturas de sintetizadores e teclados originados da dance music".

Sim, não poderia resumir melhor. Tarot Sport, em poucas palavras, é dance music guiada por sintetizadores que não parte do barulho, como muitos gostam de acreditar, mas o alcança e o transforma em algo épico com suas belas melodias.

"Olympians" e seus mais de dez minutos é calma e repetitiva. Livre de quebras dramáticas, a canção cresce com a batida e se transforma numa rave com uma espécie de Dan Deacon relaxado no teclado. "Phantom Limb", emendada na sequência, contrasta a repetição da anterior com barulhos cortados e colados aparentemente aleatoriamente, mas que logo revelam seu padrão torto. Minha canção favorita do álbum. "Space Mountain" também começa vazia e cresce ao longo de seus quase nove minutos com detalhes de música techno e um ar vitorioso, de faixa para multidões, enquanto "Flight of The Feathered Serpent" finaliza Tarot Sport em um de seus pontos mais altos, com um riff de qualquer coisa barulhenta que vai grudar na sua cabeça e vai te fazer chacoalhar insanamente, sem dois segundos de respiro.

Quando ouço aos discos do 65daysofstatic hoje, não penso neles como batidos por serem post-rock, pelo contrário, pela força que tiveram à época e pela dose de originalidade, eles se transformaram em marcos para o estilo. O Fuck Buttons está levando o piano adiante, mas além de arriscar e de colocar seus dois centavos de originalidade, essa dupla está fincando sua bandeira como um dos grupos-chave desse estilo sem nome, mas que com certeza não é noise e nem post-rock e nem dance, mas que ao mesmo tempo está no meio disso tudo.

Denis Fujito

Nota:

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