Top 25 Suppaduppa: 1 – 10

20.12.2009 — Matérias, Música

Dezembro é o mês em que todos os sites e blogs começam a publicar suas listas de melhores discos do ano. E como 2009 foi um ano excelente pra música, repleto de grandes discos, acreditamos que as listas espalhadas por aí dificilmente serão parecidas. No caso do Suppaduppa, os álbuns abaixo podem não ser necessariamente os melhores, mas certamente foram aqueles que nos fizeram companhia ao longo do ano. Ah, e para cada disco, um desenho feito pela Bruna.

Em nossa opinião, os 25 álbuns indispensáveis de 2009:

1. Animal Collective
Merriweather Post Pavilion
A essa altura do ano, não há como falar sobre Merriweather Post Pavilion e não soar desnecessário ou vago. O disco que foi lançado em janeiro de 2009 (e vazou na madrugada do Natal de 2008) simplesmente não conseguiu ser superado por nenhum dos demais 24 álbuns presentes nessa lista. Portanto, merece o título de disco do ano com uma folga pouca vista nesta década. Também a essa altura de dezembro, apontar as qualidades de MPP seria tão batido quanto falar mal da banda e dizer que os álbuns anteriores eram melhores. Mas basta apontar que “Summertime Clothes”, “Bluish”, “Lion in a Coma” são algumas das músicas mais satisfatórias de 2009 e que “My Girls” e “Brother Sport” concorrem fácil ao posto de single da década. Ou não? (Six)

2. Mos Def
The Ecstatic
Ninguém tem dúvidas do talento de Mos Def. Basta nos lembrarmos de dois lançamentos específicos em sua carreira: seu álbum de estreia Black On Both Sides, de 1999, e o disco Mos Def & Talib Kweli are Black Star, lançado um ano antes – ambos considerados clássicos do hip-hop. Desconfiava-se, porém, da capacidade do rapper de Nova York em conseguir lançar um trabalho que se aproximasse da qualidade de suas maiores obras. The Ecstatic é a prova de que Mos Def ainda é um dos MCs mais criativos da atualidade. O disco traz a produção impecável de Madlib, Oh No e até um beat de J Dilla, além da participação vocal de Slick Rick, Talib Kweli e Georgia Anne Muldrow. Vale comentar ainda sobre “Casa Bey”, a faixa que encerra o disco e que, na verdade, é “Casa Forte”, da Banda Black Rio – Mos Def apenas rima em cima da música original. Um trabalho rico, complexo e cheio de referências, mas ainda assim agradável e de fácil digestão até para quem não está acostumado a ouvir rap. (Six)

3. Lightning Bolt
Earthly Delights
Quem sabe daqui alguns anos eu morda minha língua, mas considero Earthly Delights o álbum mais equilibrado do Lightning Bolt até o momento. O peso e a intensidade, características que praticamente definem o duo, ainda aparecem – de forma mais do que clara – nas nove canções de Earthly Delights. Mas um novo elemento, não tão óbvio, dá as caras no quinto trabalho do Lightning Bolt: a melodia. Pela primeira vez e sem muito esforço é possível assobiar e cantarolar canções como “Nation Of Boar” e “Colossus”. É claro que isso pode desapontar fãs do clássico Wonderful Rainbow (2003) e do excelente Hypermagic Mountain (2005), mas há uma beleza inegável e bastante palpável em Earthy Delights, embora algumas vezes ela esteja escondida atrás de muito peso, hiperatividade percussiva e barulho. (Six)

4. Dirty Projectors
Bitte Orca
O Brasil teve a oportunidade de ver um show foda que não foi tarde demais. De vez em quando acontece e o show do Dirty Projectors no ano do lançamento de Bitte Orca foi mais do que bem-vindo. Mas eu ainda preciso mencionar o quanto o guitarrista Dave Longstreth dedilha sua guitarra? Ou preciso citar a potência e afinação da voz de Amber Coffman? Ou da beleza e da suavidade da voz de Angel Deradoorian? Acho que está claro que o Dirty Projectors não é uma banda de amadores, mas posso dizer o que me pegou no show e o que se destaca nos meus ouvidos ao escutar Bitte Orca? O baixo. No meio do mar de três vozes agudas e guitarras virtuosas, o baixo em Bitte Orca cumpre seu papel de forma espetacular; ele não segue padrões, brinca também com suas notas mais agudas, quebra de ritmo a todo momento e, com total liberdade, segura a balança que poderia pender a qualquer momento para o exagero. É óbvio que o baixo não é o protagonista e nem o principal responsável pelas qualidades do disco, mas se ele não fosse certeiro, como é, não sei se Bitte Orca teria o mesmo impacto. O Dirty Projectors, definitivamente, não é feito de amadores. (Denis Fujito)

5. Mount Eerie
Wind’s Poem
Wind’s Poem foi meu amigo em várias noites perturbadoras de 2009, pois vez ou outra só o vento pode ser um companheiro a altura da uma mente que viaja sozinha. Toda mente viaja sozinha. Porém, Wind’s Poem não é o vento, mas, sim, o vento “ouvido e traduzido” por Phil Elvrum, o Mount Eerie, lá de sua cabana no meio da floresta. O que é um certo problema, pois Phil é denso e um tanto dramático e seu vento é pesado e impiedoso. A falta de uma bateria, de ritmo, por grande parte do álbum deixa tudo mais perturbador ainda, pois, assim como o próprio vento, o disco fica imprevisível. Logo, o sentimento de insegurança permeia grande parte de Wind’s Poem, que só se torna mais aconchegante quando acalma, quando o vento some ou fica constante como duas notas tocadas num órgão. Phil foi lá e encarou a floresta e a ventania, que sempre estiveram ali, prontas para serem escutadas. Agora cabe a você explorar Wind’s Poem que, por não se importar com a empatia, como a natureza, alcança o seu objetivo de instigar. (Denis Fujito)

6. Black Dice
Repo
Talvez a principal característica de Repo é a de ser um disco que não te deixa em cima do muro. Porque ou você o coloca em uma lista de melhores do ano, ou o despreza a ponto de ouví-lo pouquíssimas vezes. No nosso caso, Repo entra no top 10 com a facilidade que um cachorro farejador encontra sua presa. O eletrônico bizarro, torto, quebrado, quase cafona e, muitas vezes, desafinado esconde influências ricas como J Dilla e Madlib, só pra citar dois nomes de peso. O álbum também ganha muitos pontos por simplesmente ser ímpar no ano de 2009. Afinal de contas, não ouvimos nada sequer parecido com o carisma (que beira o absurdo) de Repo. (Six)

7. Dan Deacon
Bromst
Com uma banda o suportando, novas possibilidades musicais se abriram para o mundo de Dan Deacon. O que era uma transe maluca e frenética de um maluco frenético em Spiderman of The Rings (2007), se transformou, em Bromst, em canções pensadas, estruturadas, de climas e influências diferentes e com as partes malucas e frenéticas mais eficientes ainda nos momentos de transe. “Red F” é um belo exemplo das nuances de Bromst; além da bateria, ela não traz mudanças, mas a sutileza com que o vocal meio urrado de Dan Deacon sozinho transforma a faixa de um frenesi para algo bem melodioso, bonito até, é de fazer cair o queixo. Esses detalhes pipocam em Bromst. Dan Deacon consegue fazer suas sutis mudanças soarem bastante significativas do início ao fim do álbum. (Denis Fujito)

8. OOIOO
Armonico Hewa
Quando começamos a ficar com saudade do Boredoms, o OOIOO vem e lança um disco surpreendente como Armonico Hewa. As japonesas de Osaka, que já haviam mostrado seu talento nos excelentes Gold & Green (2000) e Taiga (2006), conseguiram alcançar mais respeito do que nunca no ano de 2009. Armonico Hewa chega até a compartilhar algumas características com Taiga – como seu lado percussivo e quase tribal –, embora o lance aqui seja, na verdade, uma mistura de elementos como psicodelia, rock atonal e até um pouco de math rock. Liderado por Yoshimi P-We (baterista do Boredoms), o OOIOO é um daqueles grupos que simplesmente merecem sair do casulo da “esquisitice japonesa” e cair nas graças de quem aprecia música de qualidade. Armonico Hewa é uma explosão de criatividade e bizarrice na medida certa, sem nunca soar cansativo ou exagerado. (Six)

9. Secret Chiefs 3
Traditionalists: Le Mani Destre Recise Degli Ultimi Uomini
Todo mundo que já ouviu o Secret Chiefs 3 alguma vez sabe o que esperar de um trabalho do grupo: canções com influência da música vinda de lugares como o Oriente Médio, Índia e Turquia, além de pequenas doses de metal e o uso de instrumentos pouco ortodoxos. Não é o caso de Le Mani Destre Recise Degli Ultimi Uomini, uma trilha sonora de um filme imaginário, um Giallo (gênero policial italiano que tem Dario Argento como seu principal represente no cinema). É por isso que as principais referências aqui são duas: Ennio Morricone e Goblin, nomes vindos da Itália que compuseram trilhas para filmes de Argento. Le Mani Destre Recise Degli Ultimi Uomini é, em poucas palavras, um disco extraordinariamente bonito. Tenso em determinados momentos, calmo em outros, o álbum sempre dá muita atenção para os detalhes mais puros de uma composição. Perfeito principalmente para quem aprecia os grandes nomes da música italiana, como Piero Piccioni, Piero Umiliani e Bruno Nicolai, além dos já citados, dos timbres ao estilo estético. (Six)

10. Bill Callahan
Sometimes I Wish We Were An Eagle
“I used to be darker/ then I got lighter/ then I got dark again”. Bill Callahan é o cara que a gente espera sempre obscuro, reflexivo e com as frases certas para a melancolia. Desculpa, Bill, mas essa é a verdade. Seu disco anterior, Woke On a Whaleheart (2007), teoricamente sua fase “light”, não tem nem metade da potência desse seu Sometimes I Wish We Were An Eagle. Mesmo que você mantenha sua pose impassível em cima dos palcos, dá para sentir seu nervosismo escapando pelas contorções de sua boca. “Jim Cain”, “Rococo Zephyr” e “Faith/Void” são bonitas; mas é em “All Thoughts Are Prey to Some Beast” e “My Friend” que esse nervosismo aparece e transforma sua melancolia muito mais palpável e sentida. Ninguém deseja sua infelicidade, seu mal estar, mas, Bill, você é daqueles que extrai de sua melancolia sua melhor arte. (Denis Fujito)

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