Top 25 Suppaduppa: 11 – 19

20.12.2009 — Matérias, Música

11. Flaming Lips
Embryonic
Imagino como Embryonic deve ter sido uma decepção pra quem se acostumou com as melodias agradáveis de At The War With Mystics (2006) e Yoshimi Battles the Pink Robots (2002). Pois Embryonic é um disco feio, que põe um ponto final em uma era de celebração, jogando a música para o primeiro plano. E, nesse aspecto, o álbum mais recente do grupo é um sopro de ar fresco, sendo seu melhor e mais importante lançamento desde The Soft Bulletin, que em 2009 completou 10 anos de vida. Por ser um álbum feio e apresentar poucas harmonias que lembram seus dois últimos trabalhos, Embryonic não é fácil e requer algumas audições para pegar no tranco. Mas sua produção magistral e seu clima sombrio despertaram uma curiosidade imediata em mim, e hoje o colocamos sem grandes preocupações na 11ª posição. Palmas para Wayne Coyne e cia., por terem conseguido fazer um disco estranho, desafiador, pop e recompensador, mesclando noise, krautrock e psicodelia com o bom e velho space rock que é característico ao Flaming Lips. (Six)

12. Raekwon
Only Built 4 Cuban Linx… Pt II
Only Built 4 Cuban Linx… Pt II é o disco mais importante de hip-hop lançado nos últimos cinco anos, pelo menos. Não de hip-hop com música pop como Kanye West, não de hip-hop instrumental como Donuts, de J Dilla, e certamente não como o hip-hop vanguardista de The Ecstatic, de Mos Def, o segundo da nossa lista. Only Built 4 Cuban Linx… Pt II é hip-hop puro, da costa leste, feito por um dos principais nomes do rap de lá, Raekwon. Mais do que isso, é a continuação do clássico Only Built 4 Cuban Linx…, de 95, lançado na primeira onda de álbuns solos dos integrantes do Wu-Tang Clan. No disco, Raekwon conta novamente com a ajuda de Ghostface Killah em grande parte das canções – o colega inclusive aparece na capa, de novo. Entre outros, participam ainda RZA, Method Man, Inspectah Deck, Masta Killa e GZA, todos do Wu-Tang. A produção é excelente, com destaque para as faixas feitas por RZA, Dr. Dre e principalmente J DIlla (mais uma vez ele), que aparece com três beats surpreendentes. Mas o que mais impressiona em Only Built 4 Cuban Linx… Pt II é ser um disco que parece ter saído das gavetas de 96. E esse é o maior elogio que eu poderia fazer para um álbum de hip-hop que viu a luz do dia em 2009. (Six)

13. Califone
All My Friends Are Funeral Singers
A guitarra que entra em “Buñuel” soa tão perfeitamente bem que eu tenho vontade de chorar. De novidade, All My Friends Are Funeral Singers, oitavo disco do grupo, não traz nada. Mas a harmonia entre a guitarra que invade o espaço do violão e da voz de Tim Rutili e a percussão sempre pontual estão melhores do que nunca. Intercalando melodias bonitas, com o sempre toque de psicodelia, o Califone ainda consegue encaixar umas bases bastante marcantes com o profissionalismo de sempre. Sem contar que o nome do disco é All My Friends Are Funeral Singers. (Denis Fujito)

14. Atlas Sound
Logos
Com sua música em 2009, Bradford Cox foi um dos sujeitos que conseguiu, com maior eficiência, tirar os pés do chão e carregar seus ouvintes para um lugar muito bonito. Um lugar calmo, agradável e praticamente inexistente. Tudo de forma simples, quase ingênua. Digo quase porque Bradford Cox está bem longe de ser bobo. Ele sabe o que faz. Não é a toa que “Walkabout”, com a participação de Noah Lennox (o Panda Bear), é uma das melhores músicas do ano. Ou o fato dos oito minutos de kraut em “Quick Canal”, com Laetitia Sadier (do Stereolab) cantando livremente ao fundo, ser um momento essencial em Logos. Mas Cox se mostra um compositor e tanto quando está sozinho, o que fica mais do que claro na faixa de abertura, “The Light That Failed”, em “Criminals” (que lembra Tyrannosaurus Rex) e “Shelia”, e isso só pra citar alguns exemplos. Pois Logos é naturalmente bonito em seu todo, um trabalho que parece não se esforçar para alcançar seus objetivos. (Six)

15. A Sunny Day In Glasgow
Ashes Grammar
Vou insistir na história do fone de ouvido que destaquei na minha resenha porque Ashes Grammar ouvido por um bom fone é uma experiência maravilhosa. Não que a produção seja impecável. Ben Daniels, o homem responsável pelo Sunny, está entre a música caseira de grupos como o Memory Tapes e a impecável produção sueca de música eletrônica; um pouco entre o clima intimista shoegazer e a as partes mais dançantes do Animal Collective. Ashes Grammar é ótimo porque ele aparece na hora certa, ele linka mundos que pairavam próximos uns dos outros, mas que pouco se tocavam. Porém, não se trata de um disco agregador de estilos, Ashes Grammar é mais um liquidificador de climas e sentimentos atuais. (Denis Fujito)

16. Umläut
Umläut
O disco de estreia do Umläut é com certeza um dos lançamentos mais obscuros de 2009. Muito pouco se ouviu falar da banda liderada por Clinton “Bär” McKinnon, integrante do finado Mr. Bungle que tinha Mike Patton como vocalista, sendo inclusive difícil encontrar informações sobre o grupo na internet. Uma verdadeira pena. Porque Umläut, o álbum, é um tremendo poço de criatividade e talento, uma aula de composição que orgulharia professores como Ennio Morricone, Henry Mancini ou até os fãs mais exigentes do Mr. Bungle. Instrumental em sua grande maioria, Umläut abusa de instrumentos como teclados, flautas, saxofone, vibrafone – sem esquecer-se da importância do núcleo básico formado pela guitarra, bateria e baixo – para apresentar uma obra cheia de detalhes apaixonantes e cativantes. Exemplos são canções como “Atlas Face” (com a participação de Patton nos vocais), “Dirty Dishes” e “Chill Pill” que, por si só, já valem o álbum. Com uma beleza quase mórbida e remetendo ao estilo estético das trilhas sonoras, o álbum é a pérola escondida de 2009, que muitos irão ignorar. Uma verdadeira pena. (Six)

17. Japandroids
Post-Nothing
Neste ano, poucos discos me divertiram tanto quanto Post-Nothing, estreia da dupla canadense Japandroids. Nada de novo na formação: um guitarrista tocando com a distorção lá em cima e um baterista frenético. Porém, comparada com as demais duplas que apareceram recentemente, o Japandroids se diferencia no estilo – talvez na falta de. Canadenses aparentemente comuns, sem uma aura cool os envolvendo, eles cantam sua leve preocupação com a morte logo superada por canções sobre garotas, garotas de biquíni e beijar garotas. Muita gente faria uma cena patética cantando sobre garotas em biquínis. O Japandroids pinta suas melodias marcantes com o ar ingênuo dos anos 90 e grita sem medo, sem pose. Meses se passaram desde a primeira vez que ouvi Post-Nothing e eu ainda acredito no Japandroids. (Denis Fujito)

18. J Dilla
Jay Stay Paid
Como se sabe, Jay Dee (ou J Dilla) morreu em 2006, poucos dias após o lançamento do clássico Donuts. Desde então, um caminhão de beats, rascunhos sonoros e experimentos feitos pelo beatmaker de Detroit vem surgindo por aí – algumas coisas lançadas oficialmente, outras sendo compartilhadas na internet por seus fãs. Idealizado, organizado e mixado por Pete Rock (o maior ídolo de Dilla), Jay Stay Paid é sem dúvidas o melhor lançamento oficial póstumo de Jay Dee. O disco foi feito em formato de programa de rádio, com Pete Rock falando entre algumas faixas. No campo das participações especiais aparecem Doom, Black Thought (Roots), Havoc (Mobb Deep), Raekwon (Wu-Tang Clan) e outros – o que, apesar de dar animação extra ao LP, me faz imaginar se Dilla havia imaginado vozes para essas canções. Em minha opinião, Jay Stay Paid seria um disco melhor se fosse instrumental. De qualquer forma, é sempre mais do que recompensador ouvir beats de J Dilla, cuja genialidade às vezes beira o inacreditável. (Six)

19. The Mountain Goats
The Life of The World to Come
Devo entrar no mérito da religião para falar de The Life of The World to Come? John Darnielle, o Mountain Goats, fez um disco inteiro inspirado em salmos e personagens da Bíblia e não entrou no mérito, por que eu, descendente de japonês não católico devo entrar? Se você deseja ultrapassar o tema amor em uma canção e, sei lá, partir para algo sobre morte, espiritualidade, câncer, desânimo, crenças e, claro, a vida, The Life of The World to Come é seu disco do ano. Cada verso de John consegue alcançar a sensibilidade do ouvinte como poucos padres, professores e singers/songwriters jamais sonharam. (Denis Fujito)

“Wake and rise and face the day and try to stop the day from staring back at me
Busy hours for joyful hearts and later maybe head out to the pharmacy
Won’t take the medication but it’s good to have around
A kind and loving God won’t let my small ship run aground
If you will believe in you heart and confess with your lips
surely you will be saved one day ”

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