Top 25 Suppaduppa: 20 – 25

20.12.2009 — Matérias, Música

20. Bibio
Ambivalence Avenue
O que eu mais gosto em Ambivalence Avenue é sua capacidade de utilizar beats vindos do universo do hip-hop para criar algo que esteja mais próximo do IDM do que do rap. Também é um disco que ganha muito pontos comigo por sua ótima produção e variedade sonora, que vai da folktronica ao soul/R&B, passando pelo hip-hop instrumental e pela música pop – tudo com qualidade e competência. “Fire Ant” é a prova de que J Dilla está mais vivo do que nunca (pelo menos em espírito) – a faixa poderia ser facilmente uma sobra de Donuts e, pra mim, é um dos pontos altos do ano. O que, de certa forma, faz de Ambivalence Avenue um disco que poderia tanto ser lançado pela Warp (como, de fato, foi) quanto pela Stones Throw. O andamento do disco também é outro ponto positivo: músicas instrumentais, animadas e baseadas em beats são sucedidas de maneira cômoda e natural por canções mais calmas, cantadas em tons amenos e guiadas por belas guitarras. (Six)

21. Sunset Rubdown
Dragonslayer
É de se admirar que Spencer Krug, 32, esteja se sentindo velho? É de se admirar que ele cante “Tell the kids where I hid the wine/ Tell their fathers that I’m on my way”? Vejo ele pensando em voz alta: “estou ficando velho”, ao que sua avó retruca: “Spencer, você está na flor da idade”. A questão é que nos anos 2000, ele participou de pelo menos dez lançamentos de discos, seja como Sunset Rubdown, Wolf Parade, Swan Lake ou Frog Eyes. Com 32 anos de idade e poucos de carreira, Spencer já é um veterano do indie e Dragonslayer é seu trabalho mais maduro, além de direto ao ponto, soberbo, bonito e recheado de imagens. Musicalmente, bastou usar menos overdubs e sobreposições de teclados, já que o disco foi gravado praticamente todo ao vivo, para o som ficar mais direto, com quebras menos mirabolantes, destacando as belas histórias de Spencer. Ouça o que esse velho tem a dizer. (Denis Fujito)

22. Grizzly Bear
Veckatimest
Assim como Merriweather Post Pavilion, o terceiro disco do Grizzly Bear caiu nas graças tanto da mídia quanto do grande público, sendo aclamado por muitos como um dos três melhores álbuns do ano.  Entretanto, mais de 20 posições os separam nesta lista. Por que? Em primeiro lugar, Veckatimest não tem a mesma qualidade e intensidade de Yellow House, de 2006. Além disso, o novo álbum troca a tristeza e a solidão sonora de seu antecessor por uma animação que fica no meio do caminho e nunca chega ao seu destino, que talvez esteja a cargo dos ouvintes. Talvez. Ainda assim, é inegável que este é um dos grandes trabalhos do ano. Faixas como “Two Weeks” e “Ready, Able” tornam o disco como um dos obrigatórios de 2009, assim como o trabalho vocal, a precisão e o cuidado no qual o Grizzly Bear tem com suas composições. (Six)

23. Fuck Buttons
Tarot Sport
Com ar de campeão, de canções apoteóticas que não param de crescer, Tarot Sport, segundo disco da dupla inglesa Fuck Buttons, traz sete canções com suas raízes na dance music e no techno perfeitas para multidões e agrupações de pessoas. “Surf Solar”, “Olympians” e “Flight of The Feathered Serpent”, todas com seus longos minutos de duração, seguram uma até centenas de pessoas centradas nas repetições das canções e nos barulhos envolventes do disco. Em todo seu percurso, Tarot Sport mostra que quer avançar sem perder seu ouvinte, sem cair em experimentalismos demasiados, mas sem ficar estagnado também, pois eles não parecem ser músicos limitados e acomodados. Essa panela de pressão chamada Fuck Buttons está cozinhando ainda, Tarot Sport é um belo cheiro do que eles são capazes, mas eu ainda sinto um potencial de fazer explodir essa panela lá no teto. Veremos. (Denis Fujito)
24. Real Estate
Real Estate
Eu entro em transe hare krishna quando escuto ao disco de estreia do Real Estate. A voz é contida, os instrumentos se confundem o tempo inteiro e as melodias das 10 faixas do álbum são retas, com pouca alteração entre elas mas sempre pra cima, com um otimismo velado. Da simplicidade e da serenidade, o grupo consegue ainda assim extrair uma unidade forte, bonita e calma. Por um tempo eu estava viciado em algumas canções do Album, do Girls, até escutar Real Estate, o disco. Sim, “Lust For Life” e “Hellhole Ratrace” são singles muito mais potentes que qualquer um do Real Estate. Mas um disco é uma unidade. Não adianta você juntar um monte de músicas sob o nome Album e pronto. Não. Album é bom. Real Estate, o disco, é ótimo. Por não ser exagerado, o Real Estate precisa de mais audições, mas por isso também dura mais. (Denis Fujito)

25. Phoenix
Wolfgang Amadeus Phoenix
Wolfgang Amadeus Phoenix é uma isca. Em 2009, é nele que os mais mal humorados se revelam. É na perfeição pop de “Lisztomania” e “1901”, dois vedadeiros hits, que vemos quem é quem. Eu acredito em você se você falar que cansou dessas duas canções tocadas à exaustão. Até finjo acreditar que você odeia Wolfgang. Phoenix, o grupo, particularmente, me irrita um pouco também. Mas eu gosto de um ditado em inglês. Deste: “Credit where credit is due”. Aqui está meu total crédito para esse disco que, daqui a 10, 20 anos, vai ser um dos pilares de um revival que eu nem sei qual. Profeta. Para os mais bem humorados, fique feliz com esse crédito porque disco não faltou para tirá-lo dessa posição. Garanto também que dezenas de listas vão colocar o Phoenix entre os 10 melhores do ano. Uma carinha feliz pro Phoenix. =) (Denis Fujito)

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