Beach House – Teen Dream

06.01.2010 — Música, Resenhas

Beach House
Teen Dream

(Sub Pop; 2010)

O maior acerto de Teen Dream, terceiro disco da dupla Beach House, se é que posso colocar os bois na frente da carroça, é a precisão dos refrões das 10 faixas que compõem o album. Sem fugir do tema, dos sonhos juvenis, cada um dos refrões é marcante musicalmente sem perder a melancolia da voz de Victoria Legrand e dos sombrios teclados e órgãos da dupla; é preciso também pelo pouco esforço da dupla em ser compreendida, algumas vezes Victoria soa tão misteriosa como Elizabeth Fraser nos melhores momentos do Cocteau Twins. Cada um dos refrões, uma vez mais, é o melhor momento de suas canções, seu ponto alto (isso sim é trabalhar o lado adolescente), e juntos fazem o disco inteiro reverberar na sua cabeça como belas frases de uma conversa marcante ocorrida há anos atrás em alguma madrugada fria. Tudo devidamente guardado em uma caixa empoeirada no canto de sua memória.

O Beach House resolveu revirar essa caixa.

Não se trata, porém, de uma remexida no passado promovida por adultos em crise à procura de uma juventude perdida ou ansiosos por aqueles velhos e bons tempos de volta. Não. Aqueles velhos tempos, na verdade, nem foram tão bons assim. O final de "Rue The Day", do primeiro disco do Walkmen, sempre me vem à mente quando penso nisso. Nele, Hamilton canta: "Oh, there’s a memory calling, calling way too loud and way too strong/ Twisting all the bad things into good/ I’m a lucky guy now but I’ll never know until it’s gone". Como o Walkmen, o Beach House não procura terras romãnticas para pousar sua espaçonave da saudade, tampouco deseja desvendar mistérios ou encontrar respostas para perguntas nunca respondidas. Imerso em sua própria memória, o Beach House apenas sonha e viaja, muito.

Teen Dream é surpreendente não só por ser o primeiro ótimo disco pop do ano, ele é surpreendente por ter vindo de artistas que não esperávamos tão pop e leves. Dá até um alívio ouvir canções tão desprendidas das noções que tínhamos da dupla e da adolescência.

Denis Fujito

Nota:

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