Gigi – Maintenant

10.02.2010 — Música, Resenhas

Gigi
Maintenant

(Tomlab; 2010)

Aqui vai uma suppbreve introdução. O canadense Nick Krgovich, membro do finado P;ano e do ainda vivo (eu acho) No Kids, se juntou com Colin Stewart, produtor de discos de bandas como o Black Mountain e Destroyer, para montar o Gigi, um projeto musical totalmente influenciado pelo pop do início dos anos 60 de Phil Spector, da Brill Buildings e de diversos girl groups que proliferavam à época. Para completar o time, Nick e Colin não pouparam esforços e chamaram dezenas de amigos e músicos da cena independente norte-americana (EUA e Canadá) e lançaram agora em janeiro, Maintenant, disco com 15 canções simples e puramente pop.

Quando se pensa em supergrupos, logo começamos a imaginar grandes coros, instrumentação grandiosa e canções com muita força. Gigi, na contramão, é frágil.

Não haveria de ser diferente. Dentre os vocalistas convidados para cantar em Maintenant estão Rose Melberg, Owen Pallett, Mirah, Karl Blau, Zac Pennington, vocalista do Parenthetical Girls, Sydney Vermont, a Hello, Blue Roses, membros do Ladyhawk, Katie Eastburn, do Young People, entre outros. E se há um denominador comum entre esses artistas, além de todos serem da cena independente há anos, é a fragilidade de suas canções próprias.

Mas o fato de escutarmos Maintenant e percebermos sua fragilidade só ajuda para que o disco funcione do começo ao fim. Nenhuma dessas vocalistas quer ser a Dusty Springfield ou Ellie Greenwich, Nick não quer ser Burt Bacharach ou Phil Spector, todos esses brancos juntos não querem cantar como as Ronettes ou, sei lá, a Tina Turner. Esta singela homenagem chamada Gigi soa exatamente como uma homenagem, longe de ser um pastiche, livre das fantasias das Pippetes ou da eventual afetação de Zooey Deschannel.

"Dreams of Romance", por exemplo, aparece muito bem com o vocal floreado de Zac Pennington, do Parenthetical Girls. "Everyone Can Tell", com Ryan Beattie (Chet), leva o Magnetic Fields de 69 Love Songs de volta aos anos 60 com backing vocals femininos incessantes ao fundo. "Some Second Best", a mais caricatural, ri de si própria. E Katie Eastburn transforma "The Marquee" em uma das canções mais marcantes de Maintenant (e do ano) com sua voz forte atingindo pontos que nenhum outro vocalista conseguiu ao longo do disco.

Mas a verdade é que o Gigi vai passar longe dos radares dos grandes sites de música e das etiquetas Best New Musics que dão por aí, pois todos esses artistas envolvidos no projeto estão fadados a esse destino. Não tenho dúvidas nenhuma sobre isso, tampouco vejo problema no fato. Maintenant é apenas uma direta e singela declaração de amor que Nick Krgovich produziu com seus amigos ao tempo que nenhum deles viveu. E, se eu tivesse que traduzir isso em uma legenda para a foto de divulgação do grupo, eu a tiraria de "The Marquee", onde Katie canta: "And just because my heart can take it/ Does not mean you should go out of your way to break it". Pois se posicionar às vezes é apenas inconveniente. O Gigi é a conveniência pop bem-vinda e necessária de tempos em tempos.

Denis Fujito

Nota:

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