The Radio Dept. – Clinging to a Scheme

09.03.2010 — Música, Resenhas

The Radio Dept.
Clinging to a Scheme
(Labrador; 2010)

Muitos não gostaram de Pet Grief (2006), segundo disco dos suecos do Radio Dept., na época de seu lançamento. Quando compararam com a bem sucedida estreia do grupo, Lesser Matters (2003), houve um certo estranhamento com a falta das guitarras shoegazer e o tom mais eletrônico das novas canções. Agora em seu terceiro álbum, Clinging to a Scheme, lançado quatro anos após seu antecessor, o grupo volta a cutucar seus ouvintes de longa data com uma outra sutil diferença no som. Se antes suas canções eram mais baseadas em melodias melancólicas e batidas simples, em Clinging to a Scheme elas giram todas em torno de batidas em primeiro plano, além de um clima mais para cima que estávamos acostumados com o Radio Dept..

"Heaven’s on Fire" (resenhado aqui), por exemplo, é de clima totalmente praiano; "This Time Around" traz influência de New Order no baixo e bateria programada; "Never Follow Suit" aparece com uma surpreendente levada reggae; "David", já lançada anos atrás, é o oposto de "Heaven’s On Fire" e perfeita para as pistas mais escuras; e a instrumental "Four Months In The Shade" é barulhenta e de batida frenética sem arranhar a identidade do grupo.

Identidade forte, diga-se de passagem. Pois não é preciso mais que alguns segundos para reconhecermos uma canção do Radio Dept.. Os novos caminhos que Pet Grief revelou aparecem esculpidos e organizados de forma impecável em Clinging to a Scheme. As ótimas linhas vocais e letras continuam presentes, o vocal arrastado e único de Johan Duncanson continua marcante e as guitarras, mesmo mais limpas, também pipocam a cada faixa. Todo o resto está bem melhor trabalhado e executado. Não há, ao longo das dez faixas, um arranjo fora de lugar, um baixo feio ou teclado de tom destoante, não há batida mal feita, nem sons confusos e indiferenciáveis e muito menos um minuto em vão.

Porém, ao contrário do que isso possa sugerir, Clinging to a Scheme não se trata de um disco pop de fácil assimilação, mas, antes, um trabalho meticuloso de suecos que revivem os anos 80 e 90 com competência rara. Um disco pouco imediato, principalmente para ouvintes antigos, mas que cresce e cresce a cada ouvida e a cada detalhe escondido. Como revivalistas da música pop, o Radio Dept. coloca todos os pingos nos seus is e, a longo prazo, essa clareza só faz aumentar o valor artístico da banda e de seu trabalho.

Denis Fujito

Nota:

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