Liars – Sisterworld

11.03.2010 — Música, Resenhas

Liars
Sisterworld
(Mute; 2010)

Uma das bandas mais consistentes dos anos 2000, com quatro bons lançamentos (sendo um deles, o Drum’s Not Dead, indispensável) nas costas, o Liars inaugura a nova década com um trabalho que soa como um mix das características que desenvolveu ao longo dos anos.

Como era de se esperar, Sisteworld é um disco esquisito e, assim como Liars, de 2007, não traz uma unidade sonora como a de Drum’s Not Dead – um álbum no qual suas músicas poderiam facilmente ser uma coisa só.

As composições do quinto trabalho do trio também seguem o estilo mais acessível de Liars, o álbum, embora aqui elas estejam bem menos imediatas do que no disco anterior, principalmente por conta de seu clima pouco otimista: a cada canção temos a sensação de que algo ruim está prestes a acontecer. Por acaso ou não, a excelente produção de Tom Biller, discípulo de Jon Brion, colabora.

Mas mesmo que Sisterworld traga um pedacinho de cada um dos distintos álbuns da discografia da banda nova-iorquina, ele consegue respirar e andar por conta própria, sendo quase sempre algo novo e fresco. Como, por exemplo, no bom uso do piano em faixas como "Scissor" e "Here Comes All The People", ou no naipe de metais de "Goodnight Everything".

Musicalmente, o álbum é o mais explosivo do grupo em um bom tempo, com faixas pesadas como "The Overachievers", uma das mais divertidas de Sisterworld, e "Scarecrows On A Killer Slant". Mesmo nas canções mais calmas, há uma sugestiva tensão psicológica prestes a virar fogos de artifício.

Para o bem ou para o mal, o Liars continua com a pretensão de sempre, característica que traz personalidade a seu som e que, por ser em pequenas doses, sempre funcionou bem. E que felizmente segue funcionando, já que Sisterworld está entre os melhores trabalhos da banda.

– Six

Nota:

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