Glass Rock – Tall Firs Meet Soft Location

15.03.2010 — Música, Resenhas

Glass Rock
Tall Firs Meet Soft Location
(Ecstatic Peace!; 2009)

Existe uma hora da noite, da madrugada para ser mais preciso, na qual o silêncio é tão forte e intimidador que qualquer passo pela casa, cada respiração ou torneira aberta podem se transformar em ruídos insuportáveis. Por se tratar de uma hora delicada, não é qualquer coisa que sai das caixas de som. Nesses momentos, consigo lembrar de me relaxar ouvindo Van Morrison e seu Astral Week (1969), ou o primeiro álbum do Twilight Singers, Twilight as Played by The Twilight Singers (2000), com os belos vocais de Shawn Smith, qualquer música da Dusty Springfield e até Cat Power em The Greatest  (2007), para citar alguns. Fácil perceber o denominador comum entre esses artistas: o leve soul permeando os espaços vazios deixado pelo rock mais tranquilo.

Tall Firs Meet Soft Location, disco de estreia do Glass Rock, grupo formado justamente pelos membros das duas bandas citadas no nome do álbum, vagarosamente vai ganhando seu espaço neste grupo seleto não apenas por suas qualidades, mas pela idealidade dessa história toda.

"Glass Rock", "Possession", "Lion Dance", "Open Air" e "Take It Back" são pequenas amostras de como o grupo foi feito para os momentos íntimos no silêncio da madrugada, os solitários e, principalmente, os não. A bateria e o baixo climatizam o ambiente e ditam o ritmo, enquanto as guitarras cortam suavemente o ar e preparam toda a cena para Kathy Leisen cantar e guiar seus sentimentos livremente.

Gravado em poucos dias e lançado pela Ecstatic Peace!, gravadora de Thurston Moore, Tall Firs Meet Soft Location revela um grupo andando à margem – na semi escuridão de becos conhecidos mas pouco frequentados -, porém, muito confortável em seu lugar; se sentindo bem em se divertir e pronto para levar alguns insones com sua música arrastada e sem grandes picos noite afora. Como deve ser de vez em quando.

Denis Fujito

Nota:

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