Laura Marling – I Speak Because I Can

16.03.2010 — Música, Resenhas

Laura Marling
I Speak Because I Can
(Virgin Records; 2010)

A cena lenta mostra o rosto cabisbaixo de Laura. A voz canta e a boca permanece estática. Um corte e um close de uma menina que canta com um olhar mais pesado que seus 20 anos. Essa é a sequência inicial do clipe de "Devil’s Spoke", canção que abre I Speak Because I Can, novo disco de Laura Marling. A seriedade no rosto e a densidade no olhar estão melodicamente presentes no álbum.

É impossível não fazer uma comparação com o primeiro álbum da carreira, Alas I Cannot Swim (2008). Em seu novo disco, a seriedade tomou o lugar da alegria e a beleza agora não brilha tanto. É engraçado pensar que essa mudança tem reflexo até na aparência. Os cabelos loiros agora são castanhos. Mas a mudança é mais profunda.

A evolução de Laura Marling é ter olhado para trás. O folk do primeiro trabalho é simples e só não passa despercebido por conta de arranjos criativos, com toques que lhe dão contemporaneidade, e pelo inegável talento vocal. Em I Speak Because I Can o folk é enraizado, e mesmo o que não é influência do passado não destoa do conjunto. Curioso é que esse é um processo parecido com o que passou o Noah and the Whale em seu segundo disco, The First Days of Spring (2009), banda com a qual Laura mantém amizade e parcerias musicais.

A canção "Devil’s Spoke" tem um certo clima de ritual, brincando de descender e crescer várias vezes. "Rambling Man" mostra a influência de outra amizade de Laura, o Mumford & Sons, banda parceira da cantora também. Brincando mais uma vez de dar peso à canção aos poucos, "Alpha Shallows" termina forte para dar lugar à singela confissão de "Goodbye England (Covered in Snow)".

As letras transitam entre histórias inventadas para explicar sentimentos e opiniões e palavras confessionais. A voz já mostrava seu potencial em 2008, mas agora parece que Laura tem consciência de sua capacidade. Na melodia, Laura também deixou de lado a simplicidade dos acordes para brincar com diferentes afinações. Ainda bem que ela só tem 20 anos e provavelmente ainda tem muito a evoluir.

Vinicius O.

Nota:

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