Frightened Rabbit – The Winter of Mixed Drinks

28.03.2010 — Música, Resenhas

Frightened Rabbit
The Winter of Mixed Drinks
(Fat Cat Records; 2010)

Em uma entrevista para o Guardian, Scott Hutchison, vocalista do Frightened Rabbit, falou um pouco sobre a baixa auto-estima dos escoceses: "Us Scots take joy in failure, but that’s fine with me. If this is how happy fucking up makes you feel, then I’m all for fucking up". Para quem escutou ao menos um dos dois discos do grupo lançados antes de 2010, See The Greys (2006) ou The Midnight Organ Fight (2008), não é segredo nenhum que o Frightened Rabbit explora bem o clima "fucked up" da vida. Não tanto musicalmente, como diversos outros grupos escoceses, mas liricamente. Em ambos os álbuns, Scott canta sem medo de parecer dramático de mais sobre suicídio, relacionamentos falidos e a falta de rumo na vida e acerta em cheio com belas melodias em cima de canções que variam entre o indie pop, o folk e o rock britânico sem nunca ficar em um lugar comum. Em The Winter of Mixed Drinks, novo disco do grupo, porém, o trio original se transforma em um quinteto e as músicas ganham uma roupagem nova. São menos espaços vazios, mais teclados e pianos, guitarras que duelam e belos backing vocals pipocando quando você menos espera. Um passo importante para a banda, mas não o fato que mais chama a atenção, pois são as melodias vocais e as letras de Scott que fazem toda a diferença nesse novo e mais completo disco do grupo.

As letras são, na falta de um termo melhor, mais poéticas com Scott construindo imagens a todo momento e trabalhando cada verso sem explicitar seus sentimentos, mas alcançando os mesmos níveis de emoção. Em "Things", ele canta sua liberdade das coisas materiais: "I didn’t need these things, I didn’t need them/ Pointless artifacts from a mediocre past/ So I shed my clothes, I shed my flesh, down to the bone and burn the rest"; enquanto em "Swim Until You Can’t See Land", Scott se questiona com um sorriso de canto de boca: "Swim until you can’t see land/ Are you a man or a bag of sand?". A solidão é gritada mas contida ("In the loneliness/ Oh the loneliness/ And the scream to fill a thousand black balloons with air"), o sexo é uma batalha animal ("the clotheless wrestle with the clotheless animal"), e a (falta de) motivação em "Skip The Youth" é uma batalha totalmente interna com Scott tentando se mexer ("So I will but I am so tired/ If I can shake myself I can dance with you") mas concluindo naturalmente: "Skip the youth/ It’s aging me too much".

O diferencial em The Winter of Mixed Drinks, que leva muita gente a estranhar o disco, é seu otimismo musical. As guitarras são mais para cima, os backing vocais mais constantes e bastante melodiosos, as baterias fortes e há poucos momentos solitários. "Living In Colour", a penúltima faixa, aparece para representar bem esse otimismo como a faixa mais dançante que o grupo já produziu, mas sem perder a saudável aura de "underdog" de Scott pois, permeando o arco-íris de "Living In Colours", o preto (aqui, o vazio) bota os pés dos ouvintes no chão novamente e mostra que o otimismo do Frightened Rabbit é tão terrestre que a cada verso, a cada salto, Scott pisa mais forte em solo, mais confiante até. Esta é a arte de um cara que pode até dramatizar de mais sua vida aqui e ali, mas que lida bem com seus piores momentos.

"Living in colour, living in colour,
I can see the paint on your toes,
Living in colour
Even in the blackout, I know
"

Denis Fujito

Nota:

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