Sam Amidon – I See The Sign

05.04.2010 — Música, Resenhas

Sam Amidon
I See The Sign
(Bedroom Community; 2010)

Ao contrário de muitos cantores folk norte-americanos, Sam Amidon não é um músico que baseia sua arte apenas nas tradições do campo e no estilo country. Filho de cantores folk, Sam já empunhava um banjo quando mal sabia falar e cresceu ouvindo música tradicional estadunidense muito além do country; a sua arte de hoje deve muito também à música indígena e àquela feita nas montanhas, solitária e contemplativa, de violão calmo e clima mais frio, de poucas exaltações.

Essas suas raízes foram bem traduzidas em All Is Well (2007), seu primeiro disco lançado pela gravadora islandesa Bedroom Community, que trazia dez canções tradicionais de séculos passados com uma roupagem mais atual graças a Sam Amidon e a bela produção de Valgeir Sigurðsson. Os elementos eletrônicos, sempre bastante trabalhados por Valgeir nos discos que produz, aparecem tímidos em All Is Well; com isso Sam conduz o álbum com seu violão e alcança um lindo resultado: um disco coeso, de canções tradicionais mas que soam bastante atuais com os detalhes e arranjos de cordas em segundo plano.

Porém, em seu novo lançamento, I See The Sign, Sam Amidon aparece muito mais à vontade com seus companheiros de gravadora e mostra que uma produção feita por Valgeir Sigurðsson e colaborações como as de Nico Muhly e Ben Frost, também músicos da Bedroom Community, quando feitas de braços abertos podem surtir resultados muito mais surpreendentes.

A ambientaçao cinematográfica de Nico Muhly para "How Come That Blood" é uma prova viva de como arranjos clássicos combinam com a música de Sam. "Way Go Lily", com participação nos vocais de Beth Orton, é belíssima a cada momento cantado por Beth e a cada violino em destaque. Em "You Better Mind" o piano e os arranjos de cordas de Nico Muhly são pontuais e mostram o trabalho único de Sam quando comparamos a faixa com as versões de corais encontradas no YouTube. A faixa-título, em seis minutos de repetição, traz os espaços perfeitos para os arranjos de violinos, pianos, flautas, guitarras e baterias brincarem livremente pelos versos. E lá no final, "Climbing High Mountains" colada com "Relief" carimbam I See The Sign como o disco em que Sam aproveitou tudo o que podia de sua pequena comunidade de músicos, mestres em misturar a instrumentação clássica com elementos eletrônicos sem prejudicar nenhuma das identidades.

No final das contas, I See The Sign pode até ser um disco menos coeso que All Is Well, mas sua ousadia o eleva a um posto mais significativo pois são raras as vezes que nos deparamos com músicas tradicionais – pelo menos de influência tradicional – tão marcantes, bonitas e bem arranjadas como as contidas aqui.

Denis Fujito

Nota:

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