Broken Social Scene – Forgiveness Rock Record

10.05.2010 — Música, Resenhas

Broken Social Scene
Forgiveness Rock Record
(Arts & Crafts; 2010)

Sabe, Forgiveness Rock Record, novo álbum do Broken Social Scene, pode até ser inferior ao seu antecessor, auto-intitulado de 2005, que por sua vez é inferior a You Forgot It In People, clássico de 2002. Neste novo, existem menos momentos marcantes, que é o que mais esperamos do grupo, e algumas novidades não tão boas assim. Mas tudo bem. O importante é que fique bem claro que o Broken Social Scene não se transformou em uma banda decadente com o passar dos anos – e já se passaram vários desde sua formação, em 1999. Eles apenas continuam os mesmos e muita gente cansa da mesmice.

"World Sick" (resenha), por exemplo, abre o álbum ao bom e velho estilo da banda, com excelente refrão ("I get world sick everytime I take a stand/ Well, I get world sick, my love is for my man"), partes calmas bem post-rock e guitarras duelando de forma brilhante. Além de ser a faixa mais longa do álbum com seus sete minutos de duração e, por isso também, a com mais cara de BSS, "World Sick" abre caminho para as canções mais diretas, divertidas (principalmente para eles) e variadas que esses canadenses já produziram.

"Chase Scene", a segunda faixa, é meio chatinha na sua tentativa de ser um dance rock com violinos, mas "Texico Bitches", na sequência, escancara do que se trata o Broken Social Scene: de um supergrupo, como gostam de dizer por aí. O que isso quer dizer para mim? Simplesmente que seus vários membros (atualmente, "apenas" sete) sabem bem o que e o quanto fazer. "Texico Bitches" começa com uma guitarra dedilhada, um baixo e uma bateria, para logo Kevin Drew entrar com seu canto mais agudo, segundos depois, um violino aparece ao fundo, backing vocals pipocam na segunda parte do verso e o refrão, como não poderia ser diferente, é grandioso com guitarras de vários timbres e vozes ecoando a mesma frase. Não há um segundo desperdiçado. Como não há em "Forced to Love", logo depois, na qual um grande riff faz a base para onde tudo volta, enquanto diversos solos vem e vão num rock de arena potente. "All to All" traz os doces vocais femininos de (eu acho) Amy Millan e Lisa Lobsinger juntas; "Art House Director" vem com lances de metais encorpando o vocal com efeitos. "Highway Slipper Jam"  acalma os ânimos. Emily Haines causa muito impacto na minimalista "Sentimental X’s", minha preferida. "Water in Hell" tam…enfim. O disco segue por uma hora, mas flui tão bem que parece menos. Como uma bela caminhada sem rumo num dia agradável.

Eu poderia citar um monte de pequenos exemplos de como seus membros sabem o que fazer, mas o que é notável de verdade no Broken Social Scene é como cada um sabe bem o quão pouco precisa fazer para sua parte estar completa. De vez em quando isso significa tocar uma linha de 10 segundos de violino, ou fazer backing vocals em duas frases, ou tocar um riff de guitarra nos segundos finais, ou duas notas no trompete, ou uma percussão simples por quatro minutos, ou até não fazer nada e deixar que Kevin Drew e Brendan Canning façam a mágica. E silenciosa ou grandiosamente eles fazem seus truques como poucos.

Forgiveness Rock Record está resumido em cada riff muito bem colocado ao longo das quatorze faixas, ou na confusão, com a ajuda do co-produtor John McEntire, do Tortoise, muito bem separada e reduzida ao essencial. Forgiveness Rock Record é um belo de um riff na discografia deste supergrupo.

Denis Fujito

Nota.

Tags: