Cass McCombs – Wit’s End

03.05.2011 — Música, Resenhas

Cass McCombs
Wit’s End
(Domino; 2011)

Dando sequência ao som vazio e empoeirado de Catacombs (resenha), de 2009, Cass McCombs apara as arestas de suas canções, deixa de lado as sobras e traz em Wit’s End, seu novo lançamento, oito canções que aperfeiçoam seu som sem deixar que sua arte dependa de um refrão.

Wit’s End começa com a maravilhosa "County Line", talvez a melhor canção que Cass McCombs já lançou. Enquanto um órgão tranquilo à The Band carrega as declarações do cantor à cidade de County Line, Cass canta sem pressa, domando sua banda e segurando o refrão, que quando chega carrega a beleza dos grandes grupos dos anos 60/70, como a já citada The Band, Van Morrison e até um pouco de Simon & Garfunkel. Mas mesmo que o ponto alto do álbum apareça logo de cara, como apareceu, Cass McCombs não deixa a maravilha de "County Line" sumir com truques country e folk na sequência, como aconteceu algumas vezes em Catacombs. "The Lonely Doll", "Buried Alive" e "Saturday", todas com mais de cinco minutos, caminham sem pressa e mesmo sem grandes refrões ou viradas carimbam a exploração do vazio de Cass como viagens tranquilas com a paisagem sempre igual passando pela janela.

A outra metade de Wit’s End não deixa por menos. "Memory’s Stain", a segunda grande maravilha do álbum, abre com um piano que parece introduzir uma canção de Antony & The Johnsons e que logo mostra um cantor preciso também em sua poesia: "I have a confession/ In the form of a question:/ How could you entertain/ Trading know-how for a stain?". "Hermit’s Cave" traz um pouco de leveza ao folk até então denso do álbum, enquanto "Pleasant Shadow Song" faz questão de trazer de volta o lado obscuro de Cass em uma canção que carrega uma melodia característica do Delgados. "A Knock Upon The Door", a terceira e última maravilha, além dos mesmos versos sem refrão e sem pressa, traz os arranjos mais belos de todo o álbum. Desde o banjo inicial até a invasão dos metais ao longo da faixa. Cada instrumento, cada linha de percussão e cada solo desenrola à medida que a história avança, finalizando este grande álbum do jeito que ele começou, reto e sem pressa.

Wit’s End é uma maravilha de disco porque pouco conseguimos participar nele e esse pouco  nos é apenas cedido para a diversão/sofrimento do próprio Cass McCombs. Só nos resta, então, apreciá-lo a certa distância, mas com a certeza que estamos diante de uma obra de arte feita com paixão, pois o sentimento que fica, mesmo à distância, é genuíno e duradouro.

Nota:

Denis Fujito
__________
Ouça uma faixa do álbum


"County Line"

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