Jay-Z & Kanye West – Watch The Throne

11.10.2011 — Música, Resenhas

Jay-Z & Kanye West
Watch The Throne
(Def Jam; 2011)

Antes de ouvir Watch The Throne, um saudável exercício é necessário para que o álbum seja apreciado da maneira como merece. Esqueça quem é Jay-Z, Kanye West, Beyoncé. Esqueça quem são e o que representam hoje em dia no mundo da música. Ou simplesmente no mundo, em toda sua amplitude na qual a música é só um pedacinho insignificante. O exercício não é fácil, mas necessário.

Vigie o trono. Observe como estamos no topo da pirâmide, como defendemos o rap com todo o nosso poder, com toda a nossa capacidade e respeito ao gênero. Sim? Agora deixe de observar toda essa besteira e vamos ao que interessa: a música.

Fruto da união dos dois rappers mais importantes dos últimos tempos – e, talvez, de todos os tempos -, Watch The Throne foi cercado de tanta desconfiança/expectativa que a melhor coisa a se fazer era não esperar absolutamente nada. Afinal, como superar, um ano depois, o insuperável My Beautiful Dark Twisted Fantasy? Como deixar de esquecer que Jay-Z não lança um disco verdadeiramente relevante há anos? E, afinal de contas, a questão aqui nem é essa. Pouco importa.

De qualquer maneira, sendo dois monstros da produção como são, Jay-Z e Kanye West sabem bem o que fazer quando estão dentro de estúdio (lugar onde deveriam passar mais tempo) mas, mais do que isso, têm todos os melhores contatos. Ou você acha que reunir Q-Tip, The Neptunes, RZA e Pete Rock é algo simples? É simplesmente um time de primeira, responsável pelo melhor som que o rap já conseguiu ter até hoje.

Portanto, os beats brilham como a capa do próprio disco. No que diz respeito à produção, Watch The Throne é digno dos grandes trabalhos dos dois rappers. Mas, o mais importante mesmo é que as músicas são, de fato, muito boas. Pelo menos a grande maioria delas. A participação da suave voz de Frank Ocean, que abre o álbum cantarolando em "No Church In The Wild", é espetacular. E como não citar "Lift Off", um misto de Panda Bear com Beyoncé (claro, ela empresta sua voz à canção), ou "Otis", tão manjada quanto essencial. "Gotta Have It" surpreende com seu delicioso beat em loop por dois minutinhos e "New Day" é pura nostalgia, carregando todo mundo de volta para os anos 90.

Não chega a ser brochante o meio do álbum, mas faixas como "That’s My Beach", "Welcome To The Jungle" e "Who Gon Stop Me" definitivamente deixam a qualidade cair um pouco, mas sem desanimar. Qualidade que é rapidamente retomada com a ótima "Murder To Excellence", lembrando bastante algumas coisas de My Beautiful Dark Twisted Fantasy. Frank Ocean volta na pop e, porque não, doce, "Made In America", enquanto "Why I Love You" é quase rap para estádios, de tão grandiosa.

As faixas bônus são tão essenciais quanto as que entraram na edição normal do disco, e o complementam decentemente. "Illest Motherfucker Alive" aparece antes da estranha "H•A•M", música com cara de rap sulista norte-americano, mas tiro mesmo o chapéu para "The Joy", com sample de Curtis Mayfield, que encerra tudo de forma brilhante.

É claro que ter Jay-Z e Kanye West juntos num disco de capa dourada e repleto de participações em sua produção (além de Beyoncé) não garantem que o resultado seja uma obra-prima. Coisa que Watch The Throne definitivamente não é. Mas ainda que a dupla não entregue rimas extremamente memoráveis, acredito que este seja um dos melhores discos de rap lançados em 2011. Afinal, apesar de todos os seus defeitos, continuamos a observar os dois lá, fumando charutos e estourando champanhes, sentados em seu cintilante trono.

Nota:


Six

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Ouça uma faixa do álbum e assista ao clipe:

"Otis"

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