Top 25 Suppaduppa – Discos de 2011: 21 – 25

22.12.2011 — Matérias, Música

21
Belong
Common Era
____

Quando sai andando pelas ruas sem muita pressa de chegar a algum lugar foi Common Era que muitas vezes embalou meus passos. A mistura de shoegazer e drone ditava o ritmo dos pés, a constância, a consistência e a batida. Então os pensamentos pareciam fluir, como uma grande bola maciça sobrevoando o espaço de forma imponente, decidida de seu caminho. Assim eu caminhei pela cidade, principalmente nos dias de chão molhado, de nuvens pairando, de clima nebuloso. Aquele clima que serve para seus passos pesados e para sua mente focada no presente. (Denis Fujito)

“Never Came Close”

22
Altas Sound
Parallax
____

É no Atlas Sound que Bradford Cox se liberta. Os discos parecem sem foco, esquizofrênicos até, ao contrário dos coesos que lança com o Deerhunter. E acho que é justamente isso que acontece. Enquanto Bradford consolida sua carreira com a atualidade e força do Deerhunter, ele exercita suas outras vertentes com o Atlas Sound, que acabará resultando em novas ideias para um novo lançamento do Deerhunter e assim por diante. E foram nesses exercícios, até agora, que ele conseguiu mostrar as canções mais belas, etéreas, elaboradas com um quê de desleixo e decisivas para o caminhar da música pop sem um pingo de pretensão barata. Parallax é, provavelmente, o meu preferido de Bradford Cox. (Denis Fujito)

“Mona Lisa”

23
Action Bronson
Dr. Lecter / Well Done
____

Conforto. Esse é o termo que vem à mente quando ouvimos os dois excelentes discos que o braquelo e gordo Action Bronson, de Nova York, lançou em 2011. Talvez porque sua voz seja extremamente parecida com a de Ghostface Killah, ou quem sabe sejam os beats com aquela gostosura típica aos anos 90. Nada de novo? Pode até ser que sim. Mas de vez em quando é melhor se divertir com dois álbuns que fazem bem feito algo que já foi feito anteriormente do que falsa originalidade que não nos leva a lugar algum. (Flávio Seixlack)

“The Madness”

24
Peter Evans Quintet
Ghosts
____

Uma das melhores surpresas do ano, Ghosts é o disco pra quem gosta de jazz e sente falta de algo contemporâneo relevante e de bom gosto. Peter Evans dá o tom com seu trompete preciso nas sete faixas do trabalho, mas a banda brilha intensamente com piano, baixo e bateria. O charme do álbum, entretanto, está nos detalhes eletrônicos de Sam Pluta, o quinto membro. Com um jazz calcado no improviso e na experimentação – mas que de vez em quando felizmente respira outros ares ao cair no bebop clássico -, Ghosts é tão refrescante quanto tomar uma limonada com gelo sentado debaixo de uma árvore num dia quente de verão. (Flávio Seixlack)

“323”

25
Arms
Summer Skills
____

Foi um disco que vazou só nos últimos dias de novembro, mas as canções que saíram antes já avisavam que Todd Goldstein havia refinado seu indie rock. Se com o Harlem Shakes  – e nos primeiros lançamentos como ARMS – Todd mostrava uma música mais crua, ingênua e para cima, com Summer Skills não temos nada além de um rock cheio, bonito e consistente. Uma banda competente o acompanha e hits como “Emily Sue, Cont’d”, “Fleeced”, “High Heels”, “Three Mile Island” e “Glass Harmonica” são cheios de detalhes, de pequenas mudanças de ritmo, de guitarras que carregam Summer Skills do início ao fim, mas de backing vocals que rastejam pelas canções e baterias contundentes. Um disco lindo, cheio de energia, mas surpreendentemente sombrio. (Denis Fujito)

“Fleeced”

<< Top 25 Suppaduppa – Discos de 2011: 20 – 11