Top 25 Suppaduppa – Discos de 2011: 11 – 20

23.12.2011 — Matérias, Música

11
Jay-Z & Kanye West
Watch The Throne
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Watch The Throne não entregou exatamente tudo aquilo que prometeu ou que esperávamos, principalmente por ser lançado após um dos melhores álbuns de todos os tempos, My Beautiful Dark Twisted Fantasy. Mas não dá pra reclamar quando se tem ótimos beats, excelentes versos, boas participações (Frank Ocean, Beyoncé) e samples matadores, ainda mais se quem está por trás de tudo é Jay-Z e Kanye West. Enquanto é crescente o patético número de álbuns ruins de rap lançados anualmente, a dupla continua protegendo o trono dourado do hip-hop com qualidade suficiente para agradar à velha guarda sem esquecer de olhar para o futuro. (Flávio Seixlack)

“Gotta Have It”

12
Gillian Welch
The Harrow & The Harvest
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Oito anos após seu último lançamento, Soul Journey, Gillian Welch voltou sem dó no coração. Apesar de não ter nenhum disco ruim em sua carreira, este The Harrow & The Harvest me pegou desprevenido. Bluegrass atual que de vez em quando parece estar totalmente por fora do que acontece nos grotões norte-americanos e dos revivals folk e caipira, mas que ao mesmo tempo é facilmente abraçado nas mesmas paisagens ermas, pois cada acompanhamento da banjo e guitarra de David Rawlings, cada letra de Gillian, cada vazio e improvisação é de uma beleza incontestavelmente americana. (Denis Fujito)

“Hard Times”

13
FORMA
FORMA
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Esse disco do FORMA é para coroar esse TOP com belíssimas canções de clima bastante sombrio. Apesar do synth kraut do FORMA ser bem leve, dançante em alguns momentos, percorre pelo álbum um ar misterioso de filme de ficção científica que transforma este álbum de estreia em uma poderosa trilha retrofuturista. As chances desse álbum ter saído errado podiam ser bem altas, mas a mistura de 2001: Uma Odisseia no Espaço com Can, de R2-D2 com Suicide ou Glenn Branca, faz dessa estreia uma das maiores surpresas do ano. (Denis Fujito)

“FORMA 235”

14
Jonwayne
Bowser
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Faz tempo que a música não tem mais cara. Tirante o título de seu novo álbum, não dá pra imaginar que Jonwayne é um gordinho nerd que faz a barba a cada dois ou três meses. O que me deixa feliz pra valer, pois a música não deve mesmo ter cara de nada. Disco que o fez conseguir um contrato com a gravadora Stones Throw, Bowser é uma mistura bem-feita de rap instrumental, eletrônica e chiptune. Jonwayne faz música inteligente que sempre me leva a crer que ele é uma espécie de J Dilla branco vindo do futuro. Seus beats até lembram o produtor de Detroit, mas as características são mais voltadas para a ficção científica e para o videogame, ganhando muitos pontos do lado de cá da cerca. A dica é ficar de olhos e ouvidos bem apertos para o gordinho nerd, porque seus próximos passos certamente serão ainda mais impressionantes. (Flávio Seixlack)

“Darwing”

15
The Midnight Eez
The Midnight Eez
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Os puristas vão dizer que esse é um disco que não deveria estar aqui por ter sido gravado no meio da década de 90. Mas a questão é que não se trata de um relançamento, mas sim de um trabalho nunca antes lançado e que até o ano de 2011 poucos tinham conhecimento. Graças ao bom trabalho da gravadora europeia All City, essa beat-tape de primeira linha ganhou vida em boa hora: as batidas instrumentais da dupla Midnight Eez vem nos lembrar que, nos anos 90, o nível era outro. Pode ser que o disco até sirva de ensinamento para os produtores da rap dos tempos atuais, mas o melhor mesmo é recostar-se em sua poltrona e apreciar o maravilhoso jazz rap da golden age do hip-hop. (Flávio Seixlack)

“How It Started”

16
Roommate
Guilty Rainbow
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Um disco extremamente pessoal com o requinte de um músico que sempre trabalhou sozinho, que cresceu também em coros de igreja, que constroi belas melodias, mas mostra o seu potencial em doses homeopáticas. É muito comum ver esse tipo de talento passando despercebido, pois não há ostentação, apenas uma criação extremamente bem feita. Dessa vez Kent Lambert, o até então líder solitário do Roommate, aparece com uma banda o apoiando, mas todo o seu groove soul, o seu experimentalismo com batidas e suas melodias vocais estão aqui, inclusive nos covers “The Country With a Smile”, de Ned Collette, e em “Smothered in Hugs”, do Guided by Voices. (Denis Fujito)

“Ghost Pigeon”

17
Julianna Barwick
The Magic Place
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Americana branca formada em coros de igreja canta enquanto produz loops e camadas de vozes, sussurros, breves refrões, orações, meditações, pensamentos, energias. Entre o new age, a música hippie e o ambient music, The Magic Place é, como só podia ser, o lugar mágico em 2011, onde a música transcende gêneros e se concentra em um quarto iluminado. Lá, pelo menos por quase uma hora, está Julianna sentada ereta em sua coluna, sorrindo. (Denis Fujito)

“Bob In Your Gait”

18
Panda Bear
Tomboy
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Eu fiquei meses e meses sem saber o que escrever sobre este novo disco do Panda Bear. Talvez seja por isso que ele entrou nesse TOP de 2011. Escutei e escutei a Tomboy diversas vezes e sempre uma pulga aparecia atrás da orelha. O álbum soava muito direto com canções mais curtas, algumas faixas pareciam acabar antes de engrenar, algo estava diferente. Mas a insistência em ouvir Tomboy me fez sentir que o Panda Bear consegue ser esse músico essencial para os tempos de hoje porque ninguém mexe com o saudosismo e a memória como ele, ninguém sonha sobre a vida mundana e faz dançar com seu otimismo velado como ele, ninguém a não ser ele é o autor de “Alsatian Darn”. (Denis Fujito)

“Alsatian Darn”

19
Charles Bradley
No Time For Dreaming
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Dá pra dizer é uma realidade nos tempos atuais o revival do soul que marcou as décadas de 60 e 70 de forma inesquecível. Mas entre todos os bons artistas que surgiram por aí, nenhum conseguiu um resultado tão bom quanto Charles Bradley. Vai ver é porque ele, um senhor com mais de 60 anos, permaneceu obscuro por muitos e muitos anos. Mas prefiro acreditar que é porque suas músicas são de verdade. Seu soul é puro e direto, e sua voz rasgada carregada de emoção é capaz de se desgrudar do CD, vinil ou MP3 e esquentar o sangue nas veias de quem o ouve com atenção. No Time For Dreaming representa com perfeição como deve ser um álbum da era do revival do soul. (Flávio Seixlack)

“The World (Is Going Up In Flames)”

20
Eleanor Friedberger
Last Summer
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Em sua estreia solo, nossa bela e querida Eleanor Friedberger não conseguiu superar os melhores momentos do Fiery Furnaces, banda da qual faz parte ao lado do irmão Matthew. Mas a qualidade, simplicidade e honestidade das canções de Last Summer são armas poderosas para conquistar o ouvinte de imediato. Claro que a distinta voz de Eleanor ajuda, mas as composições aqui têm grande valor, e é inegável que cedo ou tarde você vai se pegar cantarolando hits como “Early Earthquake” e “My Mistakes”. A metade pop e descomplicada dos Fiery Furnaces merece destaque e, porque não, um lugar entre os grandes no ano de 2011. (Flávio Seixlack)

“Early Earthquake”

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