Top 25 Suppaduppa – Discos de 2011: 1 – 10

23.12.2011 — Matérias, Música

1
The Caretaker
An Empty Bliss Beyond This World
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Ouvir An Empty Bliss Beyond This World deve causar o mesmo efeito que uma dose cavalar de heroína. Você caminha por paisagens muito bonitas e, ao mesmo tempo, extremamente bizarras, enquanto tudo – o ar, as árvores, os animais, o céu, as rochas e talvez até você mesmo – parece leve ou pesado demais, como pisar na Lua ou em Júpiter. O Caretaker é responsável pelo disco mais visualmente rico e triste do ano, algo como estar em uma festa de gala repleta de falso glamour. Trilha sonora para sonhos que se transformam em pesadelos num piscar de olhos, An Empty Bliss Beyond This World deve ser apreciado em pequenas doses, pois é o típico álbum capaz de te arrastar para dimensões paralelas das quais é possível nunca mais voltar. Se bem que com quinze faixas tão intensas e maravilhosas pra acompanhar, até que não seria má ideia. (Flávio Seixlack)

“Libet’s Day”

2
The Roots
Undun
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O Roots é uma das únicas bandas do mundo hoje em dia que pode se dar ao luxo de fazer o que quiser dentro de um estúdio. Afinal, seus integrantes são pagos (e muito bem pagos, acredito) como funcionários “comuns” para ser a banda do programa de Jimmy Fallon. Isso significa que eles não têm o peso nas costas que a maioria dos grupos por aí tem. Undun é o resultado dessa leveza psicológica somada ao fato de que esse conjunto de pessoas se conhece há muito tempo. Um disco brilhante, bonito, bem tocado, tocante nos detalhes e perto dos momentos mais inesquecíveis da carreira da banda. Minimalista e simples como opção e não por falta de ideias, o décimo primeiro álbum do Roots refina o rap e aponta para um novo horizonte como pouco se viu dentro do gênero nos últimos 10 anos. (Flávio Seixlack)

“Make My”

3
Josh T Pearson
Last of the Country Gentlemen
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A vida é dura e Josh T. Pearson sofreu. Jesus amado, como ele sofreu. Mas feriu também. Jesus, como ele é mau. Quando ainda se prendem a esses pequenos detalhes de Last of the Country Gentlemen, Josh T. Pearson realmente se transforma apenas em um texano que foi parar em Paris e agora canta seu country de volta para a América. Mas nesse primeiro disco solo ele ultrapassa tudo o que já foi atribuído a ele e já não importa se ele traiu sua mulher e foi escroto, virou um beberrão e quebrou o quarto como um personagem do Bukowski. Não interessa o pedido de desculpas. Mas sim que em um final de semana em Berlim, Josh gravou um dos melhores discos do ano porque ele é longo, sofrido, improvisado, falado conforme os pensamentos fluem, cantado conforme a lua, com um violão que poderia ser solitário se não fosse os arranjos de corda lindos de Warren Elis. Last of the Country Gentlemen é a prova de que Josh T. Pearson é um artista do gueto humano, pois essas histórias podem não ser autobiográficas, mas elas são reais. (Denis Fujito)

“Sorry With A Song”

4
PJ Harvey
Let England Shake
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PJ Harvey sempre foi uma mulher de muita fibra e energia. E requer muita energia, além de extrema calma, para experimentar aos poucos novos rumos para sua música quando já se tem uma carreira tão consolidada como a dela. Os anos 2000 foram de passos curtos para PJ, de canções interessantes, mas pouco marcantes, de paciência. Todo o esforço devidamente recompensando com Let England Shake, talvez o melhor disco da cantora nessas mais de duas décadas fazendo música. Pode até soar pedante como ela narra a Inglaterra devastada pela guerra, mas em cada arranjo o grupo ultrapassa o experimentalismo que se perdia nos discos anteriores e em cada canto PJ Harvey transcende para ser uma mulher imponente. Lidem com isso, amigos. (Denis Fujito)

“In The Dark Place”

5
Alvarius B.
Baroque Primitiva
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Alan Bishop é um mito. Ídolo dos tempos de Sun City Girls, tem uma carreira solo ainda mais obscura do que a da sua bizarra banda. E se a qualidade das gravações definitivamente não é o forte da empreitada sem seus companheiros, sobra espaço para sinceridade. Baroque Primitiva, seu quarto disco, é simples, minimalista e emocionante. Com covers de Ennio Morricone, John Barry e Beach Boys, além de algumas composições originais, esse é um daqueles trabalhos que quase ninguém ouviu. Uma pena, pois trata-se de um dos cinco melhores de 2011, uma colorida e apetitosa viagem musical por décadas e continentes distintos e distantes. (Flávio Seixlack)

“The Dinner Party”

6
Danger Mouse & Daniele Luppi
Rome
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Nunca dei muita bola pro Danger Mouse. Sei que ele é um produtor esperto, mas não sabia que era tão esperto assim. Explico o porquê: ele se juntou ao compositor italiano Daniele Luppi, fez um punhado de músicas bonitas e foi gravar no estúdio de Ennio Morricone, lá na Itália, com instrumentos que registraram alguns dos melhores discos do maestro. Membros da banda de Morricone, aliás, participaram. E mais: ele conseguiu tirar da aposentadoria a voz das trilhas sonoras italianas, Edda Dell’Orso, o que por si só já deveria fazer com que todos os seres vivos ouvissem Rome. Em algumas das faixas, cantam Norah Jones e Jack White – e, na minha opinião, o álbum ganha muitos pontos só porque White é discreto, sem conseguir estragar tudo. Deboches a parte, Rome é uma explosão de beleza indescritível, capaz de avermelhar e derreter até os corações mais negros. (Flávio Seixlack)

“Roman Blue”

7
J Rocc
Some Cold Rock Stuf
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Como não requebrar os ossos do corpo ao ouvir Some Cold Rock Stuf? Estamos falando do primeiro grande álbum de respeito de J Rocc, senhoras e senhores, o DJ de Madlib. À frente das turntables, acredito que poucos conseguem fazer tudo soar tão natural e macio como ele. Mas o que sempre me ganha quando ouço o álbum é o fator diversão. Some Cold Rock Stuf é uma grande celebração, talvez o disco mais pronto para animar a melhor festa que você ainda não foi em 2011. Para os que gostam de prestar atenção em tudo, J Rocc dá uma aula de como samplear os melhores trechos e juntar tudo com elegância, e o nível de detalhes é grande. Seja por qual motivo for, não dá pra cansar de um álbum assim, especialmente sem concorrência ao redor. (Flávio Seixlack)

“Play This (Also)”

8
Stephen Malkmus and the Jicks
Mirror Traffic
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Stephen Malkmus não é só garantia de boa música, ele é garantia de algo muito, muito livre. Não existe idade, não existe gênero, não existe política, existe baseball, não existe humor, não existe ironia, não existe dinheiro. Não existe passado, então não existe Pavement, então não existe comparação, então não existe carreira solo. Tudo parece sempre novo e refrescante. Nem sempre bom, nem sempre empolgante. Mas um tapa na cara de quem se sentir ofendido. Mirror Traffic capta esse espírito, como não aparecia do começo ao fim talvez desde Wowee Zowee. E por parecer assim tão sem opinião, tão laissez-faire laissez-passer espiritual, Stephen é o rei dos sábios, o duque do condado da tranquilidade e o bobo da corte. (Denis Fujito)

“Forever”

9
Matana Roberts
Coin Coin Chapter One: Gensde Couleour Libres
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Nascida em Chicago, a saxofonista de jazz Matana Roberts já está por aí há algum tempo. Mas só a conheci agora, em seu melhor trabalho até o momento, o surpreendente Coin Coin Chapter One: Gens de Couleour Libres, primeiro dos 12 capítulos de um ambicioso projeto criado por ela. Não se trata de um disco fácil, mas seu jazz avant-garde espiritual pode ser colocado ao lado de trabalhos similares de Pharaoh Sanders nos anos 70. Sem dúvida um dos discos de 2011, tanto pela coragem na concepção quanto na execução, além de ser o maior responsável por colocar o jazz de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído: o topo. (Flávio Seixlack)

“Pov Piti”

10
Real Estate
Days
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Talvez seja um exagero indie de minha parte colocar o Real Estate tão alto nesse TOP, mas Days consegue levar ainda mais adiante os hinos cotidianos do grupo. Apesar de todos os detalhes estarem um pouco mais ajustados nesse novo disco, é a canção “Wonder Years” que o consolida como uma melhora e tanto para o grupo e para a música pop em 2011. Pois a faixa nada mais é do que uma belíssima homenagem ao indie pop sueco dos anos 90. A começar pela melodia super ensolarada do início ao fim, contrastando com o típico ar melancólico do subúrbio de Nova Jersey, passando pela letra simples e direta que não revela muita alegria apesar da melodia para cima (“But I’m not yours/ And you’re not mine/ No I’m not OK/ But I guess I’m doing fine”), até chegar aos “tchu tchu tchus” finais. O resto é o certeiro de sempre. (Denis Fujito)

“Wonder Years”

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