Top 25 Suppaduppa — Discos de 2012: 21 – 25

19.12.2012 — Matérias, Música

21
Grizzly Bear
Shields
__________

Já sabemos o que esperar do Grizzly Bear, mas mesmo assim eles ainda continuam surpreendendo ao aparecer com uma melodia maravilhosa que sai do zero absoluto e se transforma numa bela chama no breu da madrugada. Mas o que me surpreende mais do que tudo é o fato de o grupo continuar sendo o balanceamento perfeito da estranheza e das melodias tortas de Daniel Rossen com a delicadeza de Ed Droste. O primeiro faz “Speak In Rounds” crescer dura e tortamente e “Sleeping Ute” galopar de forma determinada com uma banda em perfeita sintonia, enquanto o segundo abre as portas de um paraíso cinza com “Yet Again” e com um piano e percussão transforma o vazio de “The Hunt” em algo lindamente triste. Assim Shields caminha, com Ed e Daniel sussurrando no seu ouvido, cada um a seu modo, e o resto do grupo mexendo com a sua indefesa alma. Um belíssimo lançamento. (Denis Fujito)

22
Field Music
Plumb
__________

Melodias complicadas, instrumentação meticulosamente encaixada e gravação impecável. As qualidades do Field Music são invejáveis, além de raras. Em Plumb, quarto álbum do grupo, finalmente eles fizeram suas qualidades aflorarem em um conjunto de canções que mostram bem como essas breves canções e intervenções simples e bem feitas podem resultar em um disco coeso e único. É a quebra para a entrada do teclado e violino em “Sorry Again, Mate”, é o violão de “Who’ll Pay the Bills?”, o baixo choroso de “So Long Then”, até chegar a um dos hits do ano, “(I Keep Thinking About) A New Thing”. Todas as canções trazem uma pequena surpresa que pedem por sua atenção, então, dê a atenção devida e surpreenda-se com alguns dos mais lindos momentos do rock frio e calculista de 2012. (Denis Fujito)

23
Chelsea Wolfe
Unknown Rooms
__________

Com Unknown Rooms: A Collection of Acoustic Songs, Chelsea Wolfe consegue construir em menos de meia hora um disco que é um sopro gelado atrás da nuca, que remete a cantoras recentes como Scout Niblett, Cat Power e PJ Harvey, mas que vem com um clima gótico envolvendo sua voz, violão e órgão que dá às suas canções totalmente livres um ar de século XVIII. Eventuais guitarras, violino, viola e sintetizador aparecem para encorpar as músicas, mas a simplicidade que impera em todo o álbum é perfeita para destacar a voz sussurrada e sensual de Chelsea Wolfe. (Denis Fujito)

24
Nas
Life Is Good
__________

Todos sabemos que Illmatic é um dos maiores discos de todos os tempos dentro da música e ponto. Mas também temos que reconhecer que, tirando alguns bons momentos, a carreira de Nas nunca foi consistente como a de outros rappers por aí. Portanto, não é exagero dizer que Life Is Good é seu melhor trabalho do MC do Queens em mais de uma década. Pop sem se esquecer da veia rap que o consagrou, o álbum tem uma produção espetacular e grandiosa, colaborações surpreendentes e faixas inesquecíveis como “Accident Murderers”, “The Don”, “Daughters”, “Loco-Motive” e “Nasty”. (Flávio Seixlack)

25
Liars
WIXIW
__________

Os discos do Liars são sempre diferentes uns dos outros, mas sempre interessantes. Mais ou menos a cada dois anos eles parecem misturar uma porção de elementos, digerir tudo e colocar a cabeça pra funcionar em estúdio para conseguir carimbar um bocado de canções com a marca registrada que fez do grupo o que ele é hoje. Dessa vez, parece que Kid A, do Radiohead — além do disco solo de Thom Yorke —, influenciou bastante. O que não quer dizer que WIXIW seja uma cópia dos trabalhos citados. Pelo contrário. As bizarrices do Liars estão presentes aqui até nos pequenos detalhes, e singles como “No. 1 Against The Rush”, “A Ring On Every Finger” e a própria faixa-título são somente alguns dos ótimos motivos para você não ignorar este trabalho. (Flávio Seixlack)


__________

<< Top 25 Suppaduppa — Discos de 2012: 20 – 11