Top 25 Suppaduppa — Discos de 2012: 11 – 20

20.12.2012 — Matérias, Música

11
The Walkmen
Heaven
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You & Me continua sendo o disco mais fino que o Walkmen já lançou até hoje, porém, Heaven apareceu neste ano como um lembrete de que o Walkmen continua sendo relevante à música de um modo geral, pois seus discos nunca se acomodam no que o grupo já construiu. Apesar de sempre usarem os mesmos elementos, a banda consegue aparecer com um clima novo a cada disco e Heaven é um lançamento complexo, pois ao mesmo tempo que mostra uma sensibilidade pop nas guitarras de “Song for Leigh”, “The Love You Love” e “Dreamboat”, também há uma estranheza melancólica, aquela que de alguma forma sempre revela a angústia de Hamilton, como nas faixas “The Witch”, “Southern Heart” e “Line by Line”, e quando percebemos que “We Can’t Be Beat”, “Love Is Luck”, “Heartbreaker” e “Heaven” são as músicas que sobraram, todas de beleza incontestável, só podemos concluir que temos (e descobrimos), em Heaven, o Walkmen em uma de suas melhores formas: a simples. (Denis Fujito)

12
Killer Mike
R.A.P. Music
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R.A.P. Music é aquele disco que você ouve e logo percebe que tudo parece ter dado muito certo. Em primeiro lugar, a produção é certeira – e não é a toa, já que foi feita por ninguém menos que El-P (que também lançou um ótimo trabalho solo em 2012. Fica aqui a menção honrosa), com beats muito poderosos e dignos do melhor hardcore/gangsta rap dos anos 90, no que talvez seja um dos pontos altos de sua carreira enquanto beatmaker. Mas o que mais me agrada é que o instrumental, apesar de espetacular, não consegue tomar o lugar ou chamar mais atenção do que a vigorosa voz de Killer Mike. Como um soco no estômago, o rapper sulista rima com ânimo e raiva raros no ano de 2012, além de ter um flow de causar inveja aos que arriscam rimar nos dias de hoje. As poucas colaborações são também mais uma prova de que o MC consegue segurar a bronca sem precisar da ajuda de quase ninguém – outra coisa que poucos rappers têm a coragem de fazer. Doze canções nervosas que mostram que o hip-hop ainda pode ser agressivo como nos anos dourados do gênero. (Flávio Seixlack)

13
Charles Gayle Trio
Streets
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“Compassion I” entra explodindo a porta de Streets, o novo álbum de Charles Gayle e seu trio, e a partir daí estamos em contato direto com um dos álbuns mais explosivos do ano. Explosivo no free jazz que Charles emprega, mas também melodioso nas repetições que vez ou outra remetem a John Coltrane e cadenciado quando o baixista Larry Roland e o baterista Michael Thompson tem a chance de mostrar que Charles não é o dono da bola. “Glory & Jesus” mostra bem os três lado a lado, experimentando em seus instrumentos, ganhando confiança a cada minuto e finalizando a faixa como começaram, com a energia lá em cima, totalmente imprevisíveis. Streets traz em sua capa o palhaço “Streets”, que Charles às vezes incorpora em seus shows, e repõe o free jazz de volta à vida como se ele ainda tocasse nas portas das estações de metrô de Nova York. É essa familiaridade toda que faz Streets fluir como um trem correndo a 200 km por hora. (Denis Fujito)

14
Dirty Projectors
Swing Lo Magellan
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Nada se parece com o Dirty Projectors no mundo do indie pop/rock hoje em dia. Não porque a banda seja extremamente original. A questão é que é difícil juntar um grupo de excelentes vozes femininas, composições criativas que experimentam dentro do pop, um guitarrista virtuoso com um propósito e um quê bem leve de esquisitice em cada trecho. Só que em Swing Lo Magellan, o Dirty Projectors parece saber que menos é mais. Este trabalho tão rico é excelente justamente por saber usar de maneira controlada todos esses elementos, muitas vezes entregando canções inteiras onde apenas voz, bateria e baixo comandam. A quantidade de excelentes canções (“About To Die”, “Gun Has No Trigger”, “Dance For You”, “The Socialites”) também é surpreendente, tornando Swing Lo Magellan um daqueles discos aos quais queremos ouvir sem parar, alternando favoritas a cada nova audição. (Flávio Seixlack)

15
Kendrick Lamar
Good Kid, M.A.A.D City
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Como sempre, o hype ajuda e atrapalha. Good Kid, M.A.A.D City não é um disco perfeito e nem o melhor álbum de rap de 2012. Não é o My Beautiful Dark Twisted Fantasy destes doze meses que se foram. Deixando as comparações de lado, o segundo LP de Kendrick Lamar é um trabalho e tanto, e são principalmente seus singles, verdadeiros hits que ficarão conosco por muito tempo, que não me deixam mentir. Como não citar, por exemplo, “Bitch, Don’t Kill My Vibe”, talvez uma das três melhores músicas do ano? Kendrick Lamar também merece destaque por suas rimas inteligentes e histórias bem contadas. E ainda que o timbre de sua voz seja irritante em grandes doses (isso vale ainda mais para seu disco anterior), a consistência de tudo e a produção de primeira nos obriga a eleger Good Kid, M.A.A.D City como um dos 15 grandes álbuns de 2012. (Flávio Seixlack)

16
El Mato a un Policia Motorizado
La Dinastia Scorpio
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É uma pena que os gringos ainda não tenham descoberto o El Mato A Un Policia Motorizado. A banda argentina tem sido consistente praticamente desde o início de sua carreira, mesclando o rock mais simples, puro e direto com o kraut e o pop em canções realmente espetaculares, com refrões que fazem qualquer ser humano digno cantar a plenos pulmões e solos de guitarra entre os mais belos já vistos e ouvidos. La Dinastia Scorpio, o segundo do quarteto, é o típico disco no qual estamos na companhia de petardo atrás do outro. Os hits românticos, sinceros, belos e coloridos, com letras muito singelas sobre assuntos tão mundanos quanto pessoais, me convencem em cada detalhe. Uma dica? Não vá embora dessa vida sem ouvir pelo menos “Chica de Oro”. (Flávio Seixlack)

17
Animal Collective
Centipede Hz
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De vez em quando paro para pensar se existe, nos últimos dez anos, um compositor pop tão consistente e de tamanho bom gosto em cada elemento de sua música como Panda Bear, ou um tão imprevisível na hora de produzir ritmos dançantes e melodias frenéticas como Avey Tare, e não saio do lugar. Pareço correr em uma esteira enquanto o Animal Collective sonha alto e faz o seu vôo rasante. Centipede Hz é uma grande celebração dividida em pequenas partes e festejada em doses homeopáticas, que mistura as raízes mais tribais do grupo com novos sons e um quê de dance que só pode fazer desse lançamento um disco ao mesmo tempo estranho, dançante e sombrio; pop nos vocais, e um tanto infantil nos teclados, ou seja, um tremendo passo para frente desse grupo que não olha para trás. Jamais. (Denis Fujito)

18
JJ DOOM
Key To The Kuffs
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Dizem que as colaborações ajudam os bons músicos a alcançarem o topo. Doom, o rapper inglês baseado em Nova York, sempre pareceu estar muito aberto a todas elas. Ao longo de sua extensa carreira ele trabalhou com seu irmão no excelente grupo KMD, com Madlib no clássico Madvillain, com Ghostface Killah e Danger Mouse, só para citar alguns. Em Key To The Kuffs, o produtor da vez é Jneiro Jarel, que conseguiu entregar uma porção de beats que casaram perfeitamente com a voz fraca/forte do mascarado e misterioso MC. Embora peque por às vezes ter uma essência musical que se assemelha à de Madvillainy, Key To The Kuffs é muito decente ao longo de suas 15 canções, com Doom apresentando rimas abstratas que transformam nossa mente em um circo de diversões repleto de imagens diferentes a cada música. O óbvio destaque é o hit “Guv’nor”. (Flávio Seixlack)

19
Oddisee
People Hear What They See
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Este disco estará em pouquíssimas listas de melhores do ano, pois Oddisee é um rapper comum, meio batido até, e People Hear What They See é um disco um tanto comum, meio batido até. Mas as canções, ah, as canções… E os refrões, que estão presentes e fortes em todas as 11 faixas do álbum, ah, os refrões… Na estrutura, People Hear What They See pode até ser conservador, mas a qualidade nas batidas, o ritmo das rimas e os refrões são tão bons e grudentos, que fica difícil não escutar o álbum repetidas vezes. O hip-hop viu discos mais marcantes e atuais serem lançados em 2012, alguns você verá nessa lista, mas Oddisee é a garantia do ritmo e da emoção nos seus ouvidos enquanto você busca mais cadência e determinação ao caminhar pelas ruas. (Denis Fujito)

20
Lee Fields
Faithful Man
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Faithful Man foi um dos discos que mais ouvi em 2012, sem sombra de dúvidas. Para aquela manhã na qual era necessário um empurrãozinho, para aquela tarde quente que precisava de uma companhia, para aquela noite romântica e para a madrugada solitária, Lee Fields & The Expressions e seu Faithful Man caíram como a trilha sonora perfeita em diversas ocasiões ao longo do ano. O soul que ele diz estar mais forte do que nunca dentro de si é potente, e, claro, emocionante e é atemporal, pois é sempre honesto. Não existe revival, não existe comparação cabível entre passado e presente, a vida caminha a passos largos e Lee Fields quer apenas continuar por aí. Lee Fields é Suppaduppa e Faithful Man um dos discos do ano. (Denis Fujito)


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