Phosphorescent – Muchacho

28.03.2013 — Música, Resenhas

Phosphorescent

Muchacho

(Dead Oceans; 2013)


O sexto álbum do Phosphorescent, Muchacho, começa com Matthew Houck mandando o sol nascer em uma canção evocativa “Sun, Arise! (An Invocation, An Introduction)”, como se o Akron/Family experimentasse com o Animal Collective numa noite nebulosa, e termina em cima da mesma melodia da primeira, em “Sun’s Arising (A Koan, An Exit)”, mas com Matthew e o restante do grupo empacotando as coisas, preparando a saída. O sol nasceu e o canto quase budista se dispersa aos poucos com os primeiros raios. Acaba-se com um agudo praticamente gritado.

As oito canções que escutamos entre essas duas, portanto, vem para mostrar como é uma noite na vida/mente de Matthew. E a noite é profunda. Ele celebra embriagado a vida e com dedos trôpegos passeando por sua guitarra em “Ride On / Right On”; recheia seu country com muitos instrumentos e arranjos em “Terror in the Canyons (The Wounded Master)” e em “A Charm / A Blade”, até acabar sozinho em “Muchacho’s Tune”: “I found some fortune, found some fame / I found they cauterize my veins / I’ve been fucked up and I’ve been a fool”.

A lot of this record is about getting something of what you want and still having your ass handed to you by the world. Like, ‘That’s how it is, muchacho. Handle it.’”

Apesar de Matthew cantar: “I will not open myself up this way again” no maravilhoso single “Song for Zula”, na prática, o que presenciamos do começo ao fim do álbum é um dos discos mais pessoais de sua carreira, pois ele não conta com a segurança das canções de Willie Nelson, com a comodidade de perpetuar uma melancolia que mais esconde do que revela, mas conta, sim, com uma banda que parece representar bem o que ele considera uma celebração. Muchacho permite que ele seja tudo sob a desculpa do álcool, do sono e da madrugada, porém, se Matthew não fosse um muchacho tranquilo, zen e sábio, esse disco não causaria nem metade do impacto que ele causa em toda sua abertura e liberdade. Muchacho é lindo porque é conceitual, livre e destemido, como ele revela na última parte de “Song for Zula”.

Some say love is a burning thing
That it makes a fiery ring
Oh but I know love as a caging thing
Just a killer come to call from some awful dream

O and all you folks, you come to see
You just stand there in the glass looking at me
But my heart is wild and my bones are steam
And I could kill you with my bare hands if I was free

“Song for Zula”

Nota
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8.2