Show: El Mato A Un Policia Motorizado — SESC Belenzinho, São Paulo — 13/04/2013

14.04.2013 — Matérias, Música

Todo o magnetismo possível se fez presente na noite deste sábado (13) no SESC Belenzinho, em São Paulo. Seja ele entre o público em si, seja entre os amores, os amantes, os amigos, os desconhecidos, os casais. Seja entre a banda, a argentina El Mato A Un Policia Motorizado, e seus instrumentos.

As cortinas ainda escondiam os integrantes quando “El Magnetismo”, a faixa de abertura de La Dinastia Scorpio, um dos nossos discos preferidos do ano passado, começou a ser executada. Enquanto os lindos acordes de teclado, guitarra e baixo soavam livremente pelo teatro do local, o microfone de Santiago Motorizado falhou logo na primeira frase, talvez a mais importante de todo o sábado: “¿Quién te va a cuidar?” A canção foi tocada inteiramente atrás do pano, e só foi possível ver o quinteto quando o pequeno hit “Mujeres Bellas y Fuertes” pode ser ouvido.

No palco, o El Mato ganha uma força impressionante que supera aquela das gravações. A banda é tímida, é verdade, mas o foco dos músicos na hora da execução demonstra um certo cuidado com o nível da apresentação – que, acredite, sempre é alto. Tem também a sinceridade na voz de Santiago – sujeito que dessa vez veio mais cabeludo e barbudo, trajando roupas mais propícias ao domingo –, que comove a cada frase, cada estrofe. Há verdade em tudo ali e todos nós, até os mais insensíveis, somos capazes de perceber isso.

O setlist também é impecável. Se por um lado ele esteve focado no belíssimo novo trabalho – cobrindo músicas tão bonitas quanto “Nuevos Discos” e “Terror”, as melancólicas “Mas o Menos Bien” e “Yoni B” e o grande hit “Chica de Oro” –, por outro o grupo não se esqueceu de seus sucessos anteriores, aqueles presentes na indispensável trilogia de EPs que saiu entre 2005 e 2008: “Amigo Piedra”, “Navidad en Los Santos”, “Chica Rutera”, “Noche de Los Muertos” e a inegavelmente emocionante “Vienen Bajando”.


Independente de qualquer coisa, a mágica já estava instalada no SESC Belenzinho por conta da força do repertório, sim. Mas tudo ganhou um colorido especial com as imagens exibidas, desde o princípio, no telão ao fundo: uma espécie de programação do Nat Geo/Discovery Channel, com animais selvagens de todo o tipo andando pra lá e pra cá, caçando, se banhando, vivendo. Foi o contraste ideal para a timidez-coração-quente do El Mato, e me levou a crer que talvez até mesmo um surdo-mudo poderia apreciar a apresentação.

O fim foi apoteótico, principalmente antes do bis, talvez desnecessário. É bem provável que o público tenha deixado o local satisfeito, visto a dificuldade que se instalou no final do show para adquirir algum item da discografia da banda. Esses pequenos detalhes, entretanto, não contam. Não contam porque o que vale mesmo é aquilo que não se pode colocar em palavras: o magnetismo, a magia, o calor proporcionado pelas canções e pelo amor dos presentes. Difícil explicar. Mas nós sabemos que este é mesmo um mundo perigoso, e que, por isso, temos sempre que estar juntos, mesmo que seja por algumas poucas e mágicas horas. Até a próxima, El Mato. Te extrañamos desde já.