Show: On Fillmore — SESC Pompeia, São Paulo — 06/12/2013

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Em uma sexta-feira quente, mas aliviada pelo temporal deixado na quinta-feira (5), o Sesc Pompeia recebeu o duo On Fillmore, que voltava ao Brasil depois de quase 10 anos.

Boa parte da plateia pulverizava seu interesse entre conhecer o projeto, que é experimental e instrumental, e contemplar Glenn Kotche como a oportunidade de ver um sexto do Wilco, já que ele é o baterista.

Ainda que não atingido pelo fator “ídolo esperado”, o baixista Darin Gray, a outra metade do On Fillmore, cativou o público na mesma proporção, especialmente aqueles afeitos aos trabalhos de Jim O’Rourke e Kevin Drumm, com quem colaborou.

E aí começa o relato de um show que soube explorar bem a dinâmica entre músicos e público, e dela fez seu trunfo. Musicalmente falando, o trabalho do On Fillmore se inseriu pálido, como coadjuvante, sem impacto, também porque o contrabaixo de Darin soava em volume menor do que o necessário para aqueles graves.

Contrabaixo, xilofone, vibrafone, uma caixinha de música e samples de animais desenhavam um experimentalismo pouco saboroso nos primeiros minutos – tanto que a plateia ensaiava uma dispersão pouco usual em shows mais intimistas no Sesc. Até que Glenn soca sua bateria e literalmente acorda todo mundo com um gongo chinês. Ali começava a experiência – coincidentemente, também para Glenn e Darin, que sorriam para a reação do público.

As peças musicais que se seguiram se intercalavam entre o eufórico e o modorrento, o que criava uma dinâmica interessante de expectativa – o que eles vão agregar agora? Pois bem, somavam tudo, inclusive um pequeno massageador de costas, dentre outros brinquedinhos a serviço de uma música cheia de camadas e invencionices.

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Àquela hora, a plateia já estava ganha, atenta e contemplativa. Ao contrário da densa massa de som que Glenn e Darin perpetravam, os dois eram só leveza, distribuída em sorrisos e interações com o público (incluindo descer do palco e tocar nos fundos da Choperia). Também pudera: no primeiro show da turnê brasileira, em Piracicaba, na quinta-feira, o duo quase teve a apresentação cancelada porque um temporal tirou a luz da região. Mas quem compareceu ao Sesc recebeu uma apresentação acústica inesquecível, segundo relatos do próprio Darin e de um espectador.

E na sexta, devidamente plugados, Glenn e Darin deixaram uma correta, mas não inesquecível, experiência de experimentalismo quase que 100% orgânico. Memorável, porém, é o fato de que ambos positivamente capturaram a plateia para o diferente, o pouco usual, o áspero. Expandiram os limites musicais de quem apenas apostava em discos ou artistas acessíveis, ou melodicamente mais palatáveis. Há sempre uma beleza muito grande em agregar sonoridades ao repertório de ouvinte, e extrair satisfação do inesperado. Glenn e Darin são muito bons nisso, e merecem dividir esse gosto pelo não-linear e pelo improviso com um público maior no segundo show no Sesc Pompeia, marcado para este sábado.

On Fillmore

07/12/13 – Sábado
Sesc Pompeia – Choperia
Ingressos: ente R$ 4 e R$ 20

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