Top 25 Suppaduppa — Discos de 2013: 21 – 25

16.12.2013 — Matérias, Música

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Jonwayne

Rap Album One

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Jonwayne, o cara das batidas, virou Jonwayne, o MC. Tenho certeza que muita gente não esperava ver o gordinho nerd que produz como poucos aparecendo em 2013 como um rapper que rima – também como poucos. Rap Album One é um disco surpreendentemente bom: sem igual no gênero, bem construído e produzido, propositadamente vazio. É claro que os beats continuam com a marca registrada de Jonwayne, com uma pegada que muitas vezes parece ter saído das trilhas sonoras dos games dos anos 90, mas aqui eles estão um pouco mais sóbrios – fazendo um bem danado para a ambientação de Rap Album One. Mas ouso dizer que a verdadeira estrela do trabalho é mesmo a voz do beatmaker: grave, forte e capaz de marcar território logo nas primeiras estrofes. Talvez você não goste muito de hip-hop ou esteja somente cansado de ouvir mais do mesmo dentro do estilo. Para você, caro amigo, eu recomendo este incrível álbum. (Flávio Seixlack)

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Peter Evans

Zebulon

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Peter Evans é um grande talento do jazz contemporâneo que nos conquista a cada gravação. Não é mero acaso Ghosts, seu trabalho anterior, estar na nossa lista de melhores de 2011. Zebulon é o registro de uma apresentação que aconteceu no Brooklyn no ano passado e que, além de Evans no trumpete, conta com John Hébert no baixo e Kassa Overall na bateria. Um disco com algumas doses de experimentalismo e espaços para o improviso, mas decididamente simples em sua proposta: um pé no bop e outro no pós-bop. E aqui é muito válido o exercício de olhar pra trás e lembrar dos nomes clássicos dentro gênero, ainda que o frescor esteja presente no pacote todo. É verdade que Zebulon nem sempre é aventureiro e vanguardista, mas este é também um disco que surpreende por ser extremamente sincero e bem executado – características que o jazz, independente da época, deve sempre carregar. (Flávio Seixlack)

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Arcade Fire

Reflektor

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É fácil confiar no Arcade Fire. A cada porção de anos eles voltam com um disco que certamente será, no mínimo, muito bom. Reflektor mantém o padrão de qualidade que estamos acostumados a receber desde os tempos de Funeral (2004), mas é também o álbum mais “estranho” de toda a discografia da banda canadense, e não por ela ter apostado em uma coisa mais experimental, por exemplo. É certo que estamos diante das faixas mais dançantes já feitas pelo grupo – e isso se explica, em partes, por conta da produção de James Murphy (LCD Soundsystem) –, mas o remelexo aqui é muito mais duro e quadrado do se poderia imaginar (o que me agrada), quase como uma homenagem aos ensinamentos de mestres como David Bowie e Talkings Heads. Um trabalho pretensioso, como um gringo sem vergonha que decide entrar numa roda cheia de dançarinos latinos para arriscar alguns vários passos sem se preocupar muito com o que está acontecendo ao redor. Ainda assim, quando Reflektor acerta (e quando consegue encaixar os passos de dança), acerta em cheio. E é por isso que ele merece um lugar nessa lista. (Flávio Seixlack)

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Lady

Lady

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Lady pode ser qualquer pessoa, qualquer grupo, qualquer coisa. Mas aqui Lady é a dupla formada por Terri Walker e Nicole Wray, pouco conhecidas, pois viveram a última década em carreiras solos com um R&B pouco impactante e como backing vocals de gente como Fergie, Jennifer Hudson, Missy Elliott, Kid Cudi, Black Keys e outros. Quando Terri e Nicole se encontraram e compartilharam o amor pelo soul dos anos 60/70, a Truth & Soul as acolheu rapidamente para lançar esse auto-intitulado debut com cara de bolacha perdida dos anos 70 com pitadas de plástico de CD do meio dos anos 90. Às vezes as Lady soam uma mistura de girl group dos anos 60 com algum clássico perdido da Stax com a ajuda da instrumentação de Leon Michels e Jeff Silverman, em outras partes meio Lauryn Hill. Uma mistura que garante a emoção num disco fora de época e por isso único no ano de 2013. (Denis Fujito)

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Keefe Jackson’s Likely So

A Round Goal

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Sopro. Apenas instrumentos de sopro. Sem baixo, sem bateria, sem piano. Sete pessoas em um palco suíço no mês de fevereiro de 2013, tocando saxofones e clarinetes de diferentes tipos para uma plateia silenciosa e atenciosa. Obra da mente do jovem americano Keefe Jackson, A Round Goal é um disco que eleva o ouvinte a lugares mágicos porque basicamente o obriga a prestar atenção tanto aos detalhes barulhentos quanto aos silenciosos. Atravessar os rios turbulentos do álbum não é fácil, é verdade, mas eu garanto a você que a recompensa é grande. Não pense, entretanto, que a música aqui é descontrolada e totalmente voltada para o improviso. Não é. O jazz de Keefe Jackson, pelo menos nesta brilhante apresentação, é matemático e quase cirúrgico, contemplativo e belo, com uma divisão de tarefas aparentemente rígida entre os músicas. Do início ao fim, Jackson parece ser o arquiteto de uma sonoridade cuja estrutura nunca se abala, embora esteja sempre pronta para nos surpreender positivamente. (Flávio Seixlack)

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TOP 25 SUPPADUPPA: DISCOS DE 2013

Parte I: 1 – 10

Parte II: 11 – 20