Top 25 Suppaduppa — Discos de 2013: 11 – 20

17.12.2013 — Matérias, Música

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Janelle Monáe

The Electric Lady

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The Electric Lady é o disco no qual Janelle Monáe se esbalda. Ao contrário da ópera The ArchAndroid, onde Janelle teve toda a preocupação de introduzir o seu personagem, a andróide Cindi Mayweather, nesse novo disco Janelle simplesmente se aproveita do fato de Cindi estar consolidada para pintar com as referências que quiser o seu alter-ego. Um movimento bem perspicaz. Ainda mais quando percebemos que The Electric Lady é um furacão de referências. Uma mistura eletrizante de soul clássico, doo-wop, reggae, R&B, música brega dos anos 80 e outros estilos que fazem de Cindi e Janelle muito mais próximas e humanas. Um disco impressionante de uma Janelle exuberante. Uma mulher e tanto. (Denis Fujito)

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Matana Roberts

Coin Coin Chapter Two: Mississippi Moonchile

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O que seria do jazz atual sem Matana Roberts? A saxofonista de Chicago já havia aparecido por aqui com seu trabalho anterior, o capítulo número um (de doze!) do projeto Coin Coin. Mississippi Moonchile segue o fluxo de qualidade com seu jazz espiritual de vanguarda e uma banda de grande competência que executa brilhantemente as composição nada fáceis de Matana. Apesar do disco estar divido em 18 faixas, a performance acontece sempre como uma coisa só: tudo vai se emendando suavemente ao toque do piano, ao sopro do saxofone e do trumpete, com as falas de Matana, a bateria e o baixo, o vocal tenor de Jeremiah Abiah e assim por diante. Quando menos percebemos, Coin Coin Chapter Two está chegando ao fim e nós estamos infinitamente mais leves. (Flávio Seixlack)

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Bill Callahan

Dream River

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Musicalmente, Dream River é um dos discos mais vazios e diversos de Bill Callahan. Um álbum preenchido por uma bela e forte percussão, cordas (violão, guitarra, violinos) conversando e duelando e flautas cortando o ar, mas sempre priorizando o silêncio e o barítono de Bill, como vem sendo há anos. Porém, o grande êxito de Bill Callahan em Dream River é ser capaz de cravar todas as suas imagens através de suas letras de forma quase teatral. Em “The Sing”, com um sorriso de canto de boca, ele canta: “Well the only words I said today are ‘beer’ and ‘thank you’ / Beer, thank you”, em “Small Plane”, ele é direto: “And all I want to do is to make love to you / With a careless mind” e em “Summer Painter” ele questiona: “I never truly knew who I was working for anyway / The rich or the poor? / Who am I working for?”. Música atrás de música, até o desfecho lindo com “Winter Road”, ele segue a sua atuação. Se abrindo como nunca havia visto antes e quebrando qualquer imagem que possa existir sobre sua pessoa. Bill está mais Bill do que nunca, reconhecível a quilômetros de distância. De perto, Bill está sorrindo. (Denis Fujito)

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Dr. Dog

B-Room

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A verdade é que o Dr. Dog entrou nos nossos corações há quase dez anos e de lá não saiu mais. Sim, Be The Void (2012) é um tanto decepcionante, Shame, Shame (2010) tem lindos momentos, mas é instável e Fate (2008) é ótimo, mas não era o Dr. Dog que a gente tinha aprendido a amar. Demorou um pouco, mas B-Room trouxe o Dr. Dog de volta ao lado mais quente do peito. Exatamente do jeito que todos imaginavam e sabiam, mas com pequenas diferenças que fazem a diferença por aqui. Não é exatamente o desleixo e a loucura de Easy Beat (2005) que dão as caras no novo trabalho, mas a liberdade nas lindas melodias que produzem, na beleza desavergonhada de “Broken Heart” ou “Too Weak To Ramble”, que traz um Toby Leaman embriagado melancólico, na alegria em forma de banjo de “Phenomenon” ou na embriaguez, dessa vez exaltada, de Toby em “Distant Light”. Enfim, B-Room traz 12 faixas que asseguram que o Dr. Dog continuará sendo ignorado pelos grandes críticos musicais por mais um bom tempo, enquanto a gente dança e chora nos nossos quartinhos. (Denis Fujito)

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Run The Jewels

Run The Jewels

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El-P e Killer Mike não estão pra brincadeira. Run The Jewels, o projeto que coloca um na frente do computador e o outro na frente do microfone, e seu disco de estreia homônimo (verdade que, juntos, eles já haviam lançando um petardo sem igual no ano passado) colocam o hip-hop hardcore de volta ao topo, lugar que não sentia seu verdadeiro cheiro há tempos. O resumo é que cada música é uma pancada, uma rasteira, um soco, um pontapé, uma facada. Killer Mike soa nervoso, mas nunca exagerado ou sem propósito. A produção de El-P, como qualquer um de nós poderia esperar, é extremamente redonda e moderna. Run The Jewels nunca entrega sequer um momento mais suave ou de qualidade inferior, e a energia de sobra da dupla faz do álbum um daqueles raros trabalhos em que o ouvinte recebe apenas o filé, nunca a gordura. (Flávio Seixlack)

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Ghostface Killah & Adrian Younge

Twelve Reasons To Die

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Quem acompanha a carreira solo dos membros do Wu-Tang Clan sabe que Ghostface Killah tem a jornada mais consistente dentro do grupo. Mas ao se juntar com Adrian Younge para lançar Twelve Reasons to Die em 2013, o rapper de Nova York deu um banho refrescante na sua própria trajetória. O trabalho é, sem dúvidas, um dos mais interessantes já lançados por Ghostface desde os tempos de Fishscale, de 2006. Muito por conta da temática: o disco é, de certa forma, uma homenagem ao giallo italiano, gênero dos filmes de suspense/terror que têm como mestre o diretor Dario Argento. As letras vão por esse caminho, é certo, mas são os beats com cara de trilha sonora italiana que fazem com que entremos de cabeça nesse universo perigoso e belo sem precisar de muita imaginação. Vale lembrar que o álbum também ganhou uma segunda versão chamada The Brown Tape, com produção de Apollo Brown, igualmente espetacular. Não deixe de ouvir esses dois. (Flávio Seixlack)

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Matt Elliott

Only Myocardial Infarction Can Break Your Heart

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Um disco que retoma as melodias e a dramaticidade do Grand Salvo e a frieza de Ned Collette só poderia ser lindo como é Only Myocardial Infarction Can Break Your Heart, novo disco do Matt Elliott. Para começar o álbum, “The Right to Cry” aparece de forma singela, com um dedilhado solitário, se desenvolve com um violão mais encorpado e um canto mais melodioso, contrapondo o início falado e grave, e cresce e cresce. Cresce como ninguém poderia prever. Cresce por mais de 17 minuto com a ajuda de refrões repetitivos, backing vocal mal assombrado, cordas tensas e uma precisão cirúrgica apesar do tamanho da faixa. Uma faixa que eventualmente termina, exaltada e forte, e que faz vibrar por muito tempo o cordão da angústia que existe dentro da sua garganta. Vibra ao longo de todo o álbum. Vibra com a linda “I Would Have Woken You With This Song”, com a marchinha de “Prepare for Disappointment” e com a melancólica “De Nada”. Vibra porque é um chamber pop dos mais bonitos. (Denis Fujito)

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Ahnnu

World Music

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Quando coloco World Music para tocar, o chão parece se abrir. O disco do produtor Ahnnu é belo e macabro, belamente arrastado e decididamente sonolento – um som que derrete seu cérebro, a caixa de som e o fone de ouvido, te jogando para dentro de seu próprio sonho (ou pesadelo). Cada canção serve como trilha sonora para uma nova – e irreal – paisagem. Confusa, mas nitidamente fora de qualquer contexto visual e sonoro. Nesse sentido, World Music é tão curto quanto um sonho que é interrompido pelo despertador, e por isso seus cortes são secos e esquisitos, ainda que façam muito sentido. Um tipo de plunderphonics moderno e atual, com inspiração em trabalhos necessários para o nosso crescimento cultural, como o espetacular An Empty Bliss Beyond This World, do Caretaker. (Flávio Seixlack)

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Cream Juice

Man Feelings

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Cream Juice é como um filho orgulhoso do Black Dice com o Lightning Bolt, mas sua esquizofrenia é um pouco – e somente um pouco – mais controlada e focada, assim como seu peso. Man Feelings é um dos discos mais ricos de 2013 quando o quesito de avaliação é a textura – de vez em quando parece ser possível sentir as camadas sonoras de seus beats com a ponta dos dedos. A esquisitice eletrônica que faz o duo remete a algumas coisas de mestres do passado dentro do gênero e até a algo de library music, mas o olhar do Cream Juice é sempre vanguardista e inquieto. Prepare-se para uma grande colagem ora psicodélica, ora frenética, ora pesada, ora cheia de detalhes. Um grande e colorido trabalho. (Flávio Seixlack)

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Action Bronson & Party Supplies

Blue Chips 2

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Para nossa sorte, Action Bronson parece ser um sujeito incansável. O rapper pró-ativo, sempre disposto a esquecer o que ficou pra trás para lançar coisas novas e se juntar a diferentes produtores, botou nas ruas um dos discos mais agradáveis de hip-hop em 2013. O gratuito Blue Chips 2 flui tão bem do início ao fim, com suas músicas quase sempre curtas, que a sensação que temos é que as coisas acabam naturalmente dando certo para o sr. Bronson quando ele entra no estúdio, basicamente porque as boas vibrações caminham de mãos dadas com o rapper. Claro que vale tirar o chapéu para Party Supplies, que entrega uma porção de beats deliciosos como se estivéssemos nos anos 90, embora sem nenhuma pretensão aparente. A diversão parece ser o destino aqui, e quando a estrada é tranquila e a paisagem é bela, certamente não nunca há perdedores na linha de chegada. (Flávio Seixlack)

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TOP 25 SUPPADUPPA: DISCOS DE 2013

Parte I: 1 – 10

Parte III: 21 – 25